Tópico dos custos da mobilidade particular - trocar de carro?

Telmo Salgado

Moderator
Andava há bastante tempo para iniciar uma discussão destas, e o Paulo Lapa deu-me o impulso que faltava...

Como quantificar/prever a altura ótima para trocar de carro?
Custos do agregado familiar?
Custos ambientais?

Ora bem, isto daria pano para "muitas mangas", mas de é facto muito dependente da curva de depreciação, mais ou menos acentuada, do valor que o objeto tem.
No caso das viaturas, a coisa está relativamente bem estudada em termos de valor futuro, seguindo uma trajetória que em tudo é equivalente a perder dinheiro. Jamais, tirando algumas exceções relacionadas com carros de coleção, usados em ocasiões especiais, ou com algum pedaço de história dos donos, uma viatura é um investimento: eu diria que é o pior investimento que existe.

Car_Depreciation_for_several_models.png


Esta curva "normaliza" as viaturas de segmento médio nos EUA, em que nas ordenadas está o valor, iniciado com 100%, saído do stand. Reparem como ao fim de 5 anos (ver abcissa graduada até aos 24 anos), a viatura vale, em média 50% do valor em novo, e aos 10 anos, cerca de 20%, depois estabiliza ali para os 10%, perdendo cada vez menos porque a depreciação maior já foi.

Um exemplo...
novo 40k€ -> 5 anos 20k€ -> 10 anos 8k€ -> 20 anos 4k€

Em aberta análise, seria entre os 10 e os 20 anos que teríamos a mais barata posse, altura em que por ano a viatura só perde 400euros.
Só que depois outras coisas influenciam, como a segurança ativa/passiva, os crescentes gastos de manutenção e reparação, e um fator muito eloquente que é, o "porque mereço", uma expressão usada pelo nosso estimadíssimo Luís Neves.
Ao fim de 10 anos também temos maiores custos ambientais, pois alguns componentes perdem função, e, por exemplo, o consumo de óleo ou elevados consumos de combustível ou energia.
Também, por força de existência de limites de emissões nas zonas urbanas, podem ser impedidos de circular nalguns locais, embora se anteveja que no futuro com mais eletrificação este limite não será problemático, porque as emissões do veículo serão zero em termos de motorização.
A existência de carro particular é, em si própria, também um gesto pouco amigo do ambiente, sendo sempre preferível a partilha ou o transporte coletivo.
Ao trocar por um carro novo, também estamos a consumir recursos, que significam por si próprio o equivalente a várias dezenas de km percorridos, isto só em energia. A reciclagem final também encerra custos. Enfim, um drama de escolha.

car-emmission-chart.png


(no resumo comparativo acima devo acrescentar que a fase "uso" do BEV em Portugal é bastante mais favorável que no caso apresentado, devido a um mix energético mais renovável, julgo que o Tesla ao fim de 270 mil km fosse até bastante melhor que o pequeno utilitário. Mas para poucos km, o utilitário deverá no total ter menos pegada)

Não há muito mais a dizer da minha parte, agora sois vós a continuar a discussão.
 
Última edição:

Rui Santos

Saturn_Guardian
Por isso é que troquei um carro com 14 anos por um com 3,5 anos hehe.
Mas sim trocar de carro a cada 4 anos ou menos tem um impacto grande no ambiente, o pessoal fala muito das emissões pós-compra mas esquece que o fábrico também tem custos ambientais.
 
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