Rede Ionity

João Prates

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CKL
Bom dia a todos(as),

A propósito de outro tópico sobre carregamentos EV fora de Portugal tomei a iniciativa de investigar um pouco mais a fundo o funcionamento da rede Ionity.
Este tópico tem como objectivo partilhar o que descobri de forma fácil e resumida, para evitar esse trabalho a outros a quem o tema possa interessar.

A Ionity é uma rede de carregamento de alta potência que permite carregar veículos eléctricos em muito pouco tempo, assim a viatura o permita.
Em todas as estações de carregamento Ionity o utilizador pode encontrar postos de carregamento de 350 kW de potência máxima, o valor mais alto do mercado.

Esta rede garante o acesso aos seus carregadores de duas formas possíveis, com tabelas de preços totalmente distintas em cada caso:
  1. Via Mobility Service Provider (MSP), na maior parte dos casos é uma empresa do próprio construtor auto aderente à rede Ionity, mas pode ser outra;
  2. Via app de telemóvel garante acesso universal a qualquer condutor, com pagamento directo à Ionity, a preços diferenciados dos garantidos por MSP.

MSP

Pela ordem acima referida, temos em primeiro lugar conforme referido os próprios construtores fundadores da joint venture Ionity, nomeadamente BMW Group, Ford Motor Company, Daimler AG, e Volkswagen Group (inclui Porsche AG). Em Setembro de 2019 o Hyundai Motor Group aderiu como accionista da Ionity, garantindo assim acesso aos postos de carregamento tanto à Hyundai como à Kia (ambas marcas do grupo Hyundai).

Para estas marcas existe no meu entender a obrigação moral de proporcionarem acesso à rede Ionity a todos os seus clientes, sendo para já duvidoso que o façam para clientes de Portugal.
E digo isto porque pese embora a rede seja trans-europeia, o facto de não existirem ainda postos de carregamento em Portugal pode levar os representantes portugueses a "esquecer" esta rede.

Quem pretende utilizar o seu BEV para deslocações pela Europa, deve reclamar junto do seu concessionário o acesso à rede Ionity a preço de MSP, é obrigação da marca facilitar o contrato.
Os preços para alguns MSP como a Mercedes me Charge rondam os 0,30 Eur/kWh, um preço a par do cobrado pela Tesla nos Super Chargers (mais lentos), mas com plano de assinatura mensal.

Estranhamente não fui capaz de encontrar na internet um único MSP independente que anuncie de forma pública os seus preços de acesso à rede Ionity, nem a Ionity tem no seu site uma lista dos MSP com os quais tem acordos. Isto é no mínimo muito estranho, uma opacidade nada salutar, diga-se de passagem.

Enviei um pedido de esclarecimento à Ionity via site, solicitando a lista e contactos dos MSPs, aguardo resposta.


Acesso universal via APP

O acesso universal a qualquer utilizador é proporcionado através de uma app a instalar no telemóvel.
Com este acesso universal não há qualquer obrigação de assinar planos mensais com custos mínimos fixos, nem de possuir uma viatura fabricada por um dos accionistas da Ionity.

Basta associar um cartão de crédito à conta criada na app, e o débito é efectuado sem necessidade de mais complicações, como um vulgar pagamento num posto de combustível.
O reverso da medalha é a tarifa cobrada neste modo de acesso: Actualmente 0,79 Eur/kWh ou 0,79 Eur/min consoante o país, mais do dobro daquilo que é cobrado por um MSP!
 
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João Prates

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CKL
Mas não é com tarifas a rondar 1 euro por cada kWh que se promove a mobilidade eléctrica.
Temos uma visão diferente das coisas.

Já o provei acima, e tu mesmo já validaste no teu post, que os preços para as marcas que suportam o custo da Ionity anda na casa dos 30 cêntimos por kWh, isto quando o custo é por kWh.
Os postos Ionity são pagos pelos fabricantes que formam a joint-venture, e o facto de permitirem o uso universal (custo elevado) a mim choca-me menos que a Tesla se fechar a todos os outros.

Se os outros fabricantes se preocupam minimamente com os seus clientes, que adiram à Ionity como fez o grupo Hyundai, é simples.
Em vez de gastarem tempo a criticar a Ionity, critiquem os fabricantes das outras marcas que vendem BEV na Europa e que nem fazem a sua rede nem se integram nas existentes!

Digo mais: Há países onde a Ionity funciona por tempo, como é o caso de França, e nesses por exemplo carregar um Taycan dos 0% aos 70% (aproximadamente) fica ao mesmo preço que carregar um Tesla Model 3 nos seus Super Chargers, fruto da velocidade de carregamento brutal do Taycan e dos seus 800V de bateria:



Estamos a falar de postos de abastecimento com carregadores que dão 350 kW (!) de potência, são feitos para BEVs que carregam rapidíssimo hoje e para os que ainda virão para o mercado.
É um investimento brutalíssimo em infraestruturas e em equipamentos de alta potência, não tem semelhanças nenhumas com a raquítica Mobi-e que temos em Portugal por exemplo.

Com que direito podemos criticar a Ionity (ou outra qualquer) por cobrar o preço que quer a quem não contribuiu com rigorosamente nada para o seu investimento?
Dizem alguns com razão que eles receberam fundos Europeus, que não podiam fazer o que fizeram. Não podem porquê? Os postos não estão na Europa?

Que eu saiba o apoio foi de 39 milhões de Euro, para 340 postos HPC de 350 kW, espalhados um pouco por toda a Europa, para carregar carros na sua maioria feitos na Europa.
Dá uma média de apoio de 115 k Eur por cada posto HPC. Em Portugal, o Governo Português decidiu apoiar com 750 k Eur um único posto de hidrogénio!



A diferença é que a Ionity garante que toda a electricidade fornecida tem fonte limpa, já o posto de hidrogénio de Vila Nova de Gaia... pois...
 
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Carlos Costa

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Não acho positivo este modelo de negócio da Ionity. Só o facto de obrigar a subscrever um serviço com um valor base mensal faz-me confusão. Seria bonito teres que pagar 15 eur por mês para abasteceres na Galp, outros 15 para a BP, e por aí fora. A eletricidade é uma comodidade, não consigo ver uma rede de carregamento para carros eléctricos como um serviço de TV ou Internet. Obrigando a subscrição, o cliente deveria ter, no mínimo, um plafond de kWh incluído, o que não é o caso.

A Tesla não obriga a subscrição e tem uma rede muito maior. Até nisso é superior. Reconheço que a Ionity é uma rede de enorme capacidade, com custos de implementação elevados, mas preferia que optassem por outro tipo de modelo de negócio, com vantagens para as marcas que integram a parceria, mas não tão penalizador para os outros utilizadores. Com os postos às moscas devem ter rendimentos brutais, só que não.
 

João Prates

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CKL
Não acho positivo este modelo de negócio da Ionity
Eu também não, mas não digo que é ilegítimo, e se como penso (e se calhar tu também) vão ter dificuldades em vender com este modelo, deixa que logo o alteram, ou morrem.

A Tesla não obriga a subscrição e tem uma rede muito maior. Até nisso é superior.
Yup. Nada bate a rede de SuC da Tesla, para mim é a sua maior valia, e se algum dia comprar um Tesla, esse será o maior elemento motivador.
Mas repara que na Tesla só os Tesla se abastecem, se estiveres enrascado com um não-Tesla em risco de ficar na estrada e tiveres um SuC por perto, não te serve de nada.
 

Luis Neves

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Nas minhas duas passagens por Capens/Volverine em Agosto, nem uma viatura a carregar nestes postos.

Em França cobram por tempo e não por kWh, o que pode tornar as coisas mais baratas ou mais caras, dependendo da viatura, do seu perfil de carregamento e do SOC com que se lá chega.

Neste meu teste cheguei com 60% e carreguei 8m e 8s até aos 70%. Levou 7,2 kWh, que tiveram um custo de 7,13€. Ou seja, números redondos 1€ por kWh. Se tivesse chegado com SOC de 10%, teria carregado quase o dobro da energia no mesmo tempo, o que traria o custo para um valor mais simpático de 50-60 cêntimos por kWh. Os carros que vão aos 250 kW de potência de carregamento safam-se bem aqui....

Os planos de assinatura com mensalidade acabam por tornar a quem viaje com menos frequência a coisa tão cara ou mais do que pagando utilização pontual...de facto o modelo de negócio parece apenas funcionar com carros que carreguem a 200 kW ou mais.
 

João Prates

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CKL
Os planos de assinatura com mensalidade acabam por tornar a quem viaje com menos frequência a coisa tão cara ou mais do que pagando utilização pontual
Não exageremos... tomando o exemplo do plano de preços da Audi que o @Carlos Costa referiu acima:

0,79x = 0,33x + 16,93 <=> 0,46x = 16,93 <=> x = 36,8

A partir de um consumo de apenas 36,8 kWh já compensa ter a assinatura mensal, e convenhamos que isso não é nada, um carregamento total de qualquer bateria leva mais que isso.
 
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Luis Neves

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Nona estação em construção em Espanha, entre Ciudad Rodrigo e Salamanca....

Já estão ativas ou em construção 320 das 400 previstas, o espaço para o nosso pequeno retângulo começa a reduzir-se...não me convencem que isto não tem a ver com a treta do modelo nacional para a mobilidade elétrica.

p.s. - em Espanha há 31 estações Tesla ativas e 15 planeadas para construção.
 

João Prates

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CKL
Pela milésima vez repito:

A teoria que em Portugal a energia tem de ser comercializada por entidades credenciadas para o efeito e que por isso só os CEME a podem vender nos postos de carregamento não cola.

Essa teoria é muito gira, tem os seus motivos bem válidos para existir, mas sempre que se justificou foram criadas as necessárias excepções; veja-se o exemplo das UPACs a vender à rede.

Nada obsta a que o mesmo tipo de excepção fosse criado para que os operadores dos postos de carregamento pudessem eles mesmos vender a energia, ou pelo menos vender o serviço de carregamento com a energia a ele associada.

Só não o fazem porque querem proteger os mesmos de sempre, as EDPs, GALPs e companhias, os gigantes que têm capacidade financeira para se tornarem comercializadores ou que já o são.

Por outro lado o mercado português de mobilidade eléctrica é tão pequeno que só o investimento e garantias financeiras para uma empresa se tornar CEME tornam o negócio ruinoso, por isso ou já se é comercializador e/ou tem outras áreas de negócio, ou não é minimamente interessante para uma empresa meter-se neste modelo de negócio.

Não é por acaso que a Ionity apesar da sua dimensão em Portugal se está a preparar para entrar com uma gasolineira como CEME (Cepsa), não era minimamente rentável de outra forma.

É uma vergonha este modelo de negócio da Mobi-e e todas as leis feitas à medida para proteger as empresas do regime.
 
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Carlos Costa

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Portugal é uma ilha, onde só a Tesla conseguiu entrar! Há que dar mérito aos "amaricanos." Até nos comboios somos diferentes, já que ninguém usa a bitola portuguesa para transporte de passageiros! Orgulhosamente sós!
 

Telmo Salgado

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Hmmm...Nota que a bitola portuguesa é a Ibérica, partilha-a com Espanha.

Diz-se que a "ilha ibérica" ferroviária tem um pouco a ver com o receio de invasões francesas e mais tarde foi sublinhada com a dificuldade de invasão dos nazis.
Mas é o diz-que-disse.
 

Carlos Costa

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Certo Telmo, mas os espanhóis já têm a bitola internacional para transporte de passageiros, enquanto por cá ainda não. O Costa diz que não é prioridade.
 

Telmo Salgado

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Certo Telmo, mas os espanhóis já têm a bitola internacional para transporte de passageiros, enquanto por cá ainda não. O Costa diz que não é prioridade.
Ao que se lê, essa bitola internacional é só utilizada na rede do AVE (alta velocidade) e num troço na Catalunha.

Se fizermos a alta velocidade por cá (é prioridade de Costa ou não, afinal?) eu estranharia muito adquirir material circulante com bitola que não fosse internacional, dada a sua ubiquidade europeia.
 

Telmo Salgado

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Além deste que cruza a fronteira 4 vezes por dia tínhamos até ao passado mês de maio a ligação Lisboa-Madrid, que a Renfe resolveu suspender, pela pandemia mas também pelo alegado prejuízo. Funcionava desde 1943.

A bitola internacional resolveria alguma destas questões? Ou teríamos volume suficiente para o AVE vir à nossa capital?
São temas para outro tópico, eu pretendia somente desmistificar o teu post que levava a uma leitura incorreta do assunto.
 
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Luis Neves

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E já temos a décima estação em construção em Espanha, em Pamplona. No total, estão no terreno 326 das 400 previstas. Cada vez há menos espaço para Portugal....vamos lá a ver se não colocam as previstas para a nossa terrinha noutro país menos esquisito com protecionismos legais....
 
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