Os vendedores automóveis e os BEV

João Prates

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CKL
A classe de comerciais auto sempre esteve por décadas sem ter qualquer necessidade de evolução na minha opinião.
Foram anos e anos seguidos onde a "lábia" de vendedor, e o pedigree da marca faziam tudo o que era preciso, as vendas aconteciam a passo certo sem grandes surpresas ou esforço.

Hoje vemos os BEV e PHV a entrar no mercado, as marcas (casas mãe) a fazerem algum esforço (umas mais que outras) na formação à força de vendas dos concessionários, mas infelizmente os resultados são zero.
Tenho pela natureza da minha actividade conversas inacreditáveis sobre esta realidade, a forma despreocupada e irresponsável/inconsequente dos vendedores que vão às acções de formação são uma constante.

Isto é um problema tão grave que hoje é impossível dizer que esta ou aquela marca tenha em toda a rede de concessionários pessoas conhecedoras do produto BEV/PHV, capaz de elucidar o cliente.
Aliás, diga-se a bem da verdade, 90% das vezes o cliente sabe mais sobre o carro que o vendedor, o que já devia ter disparado alarmes em todo o lado... mas não...

A postura normal das marcas é "demos formação, não podemos fazer mais", e daqui não passamos. Triste. Claro que se pode fazer mais, muito mais!!!
Façam-se avaliações de desempenho, concedam-se bónus, seja em condições comerciais às concessões nas viaturas que compram aos importadores, seja em suplementos no vencimento, muito se pode fazer!

Estou sinceramente cansado de andar a correr atrás do prejuízo, de ter de ensinar a centenas de clientes como as coisas funcionam, de fazer aquilo que quem vendeu os carros devia ter feito.
Quem vende viaturas e tira milhares de euros de margem e comissões, não pode deixar de fazer o trabalho que é da sua competência, para quem ganha 40 ou 50 Eur num EVSE vir depois fazer por ele!

O exemplo que mostro a seguir é apenas 1 de entre muitos, literalmente centenas, de TODAS as marcas, e mostram a realidade do mercado de BEV e PHVs no nosso país.
Uma vergonha que não pode continuar!

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Quando é que esta classe profissional acorda de uma vez?
 
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William Esteves

Active member
Não só nos EV's/PHEV's... Lá no trabalho já tivemos um fornecedor de combustível alternativo a questionar, após uma breve apresentação nossa, se alguém se disponibilizava para dar formação desse mesmo combustível aos.... Comerciais do próprio fornecedor...
 

William Esteves

Active member
@João Prates , a minha opinião é que as gestões de topo se preocupam tanto com a redução de custos que criam problemas operacionais que só se vão realmente notar passados alguns anos...

Também compreendo que não se pode dar tudo, também apenas "peço" mais equilíbrio do que atualmente...
 
(...) é um problema tão grave que hoje é impossível dizer que esta ou aquela marca tenha em toda a rede de concessionários pessoas conhecedoras do produto BEV/PHV, capaz de elucidar o cliente.
É realmente dececionante constatar o tipo de realidade com que frequentemente nos deparamos e com aquilo que é valorizado ou incentivado a prosseguir.

Isto nos assuntos dos automóveis, em mim existem duas certezas absolutas: lidar com vendas, nomeadamente as pessoas e o seu grau de conhecimento e frontalidade (honestidade) e com o serviço, nomeadamente conhecimento técnico/domínio de técnicas e procedimentos de reparação e capacidade de reverter situações desconformes é garantia de insatisfação. Praticamente é transversal a todas as marcas (as pessoas também pulam muito entre marcas/empregadores), especialmente porque na base de tudo isto está aquilo que é o que a nossa sociedade cria (pessoas) e aquilo que é tido como o bom desempenho das organizações (objetivos, metas das firmas).

Quando um vendedor tem (e sabe que vai ter) um stock de artigos para os quais vai ter a responsabilidade de realizar a sua venda, uma das suas mais prementes preocupações vai ser conseguir despachar o mais rapidamente possível e com a maior margem de lucro, esse stock a todos os potenciais clientes que o venham a interpelar. Também nada ajuda grandes gamas e versões de veículos alocados a todos, ao invés de segmentados por diversos gestores de clientes (mas algumas marcas/firmas fazem isto).

Um Burro Trabalhador irá sempre desempenhar melhor do que um Malandro Erudito. ...ou dito em tempos de uma outra forma e por alguém mais conhecido:

"We do these things not because they are easy, but because they are hard" John Fitzgerald Kennedy, 1962

De forma mais ou menos extensa, todas a gerações com idades inferiores a 60 anos estão acostumadas e valorizam muito, tudo o que permite levar a sua existência através de expedientes que permitem "making life easier". Usar o Google, grupos de WhatsApp, Twitter, Facebook e muitos mais como atalhos para se obter informação é muito melhor do que ler folhas de instruções ou manuais e sujar/golpear as mãos...

Eu nem sequer cheguei aos 60 anos, mas sou tão ignorante que nunca consigo vislumbrar qualquer utilidade nos constantes Over-The-Air updates existentes para por exemplo, os SmartPhones Android. Aquilo vezes sem conta é atualizações para a aplicação Youtube ou similares (nunca usei nem vou usar através do SmartPhone), atualização do aspeto gráfico dos ícones, atualização do aspeto do símbolo do fabricante do telemóvel! (... mas que palermice, então e o símbolo antigo gravado na tampa, muda como? Tampa enviada Over-The-Road ??).

... Agora, imaginar que o futuro próximo da toda a humanidade é vir a ter carros que se abrem a fecham através deste tipo de telemóveis, que para se abrir uma gaveta do carro, ou invés de se tocar no puxador se vai tocar num ecrã, que ao se colocar o cotovelo na ombreira da porta se escuta: Hey Dude! Feeling comfy you Dummy?
 
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