Nissan Leaf assim não.....

Rui Amaral

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Para mim o problema nem é tanto os haters porque "Haters are (always) going to hate " mas sim potenciais compradores de BEV´s que já estao a pensar duas vezes em adquirir um elctrico. Contam se pelos dedos das mãos (e pés) a quantidade de vezes que fui martelado com o preço de uma bateria nova para o meu prius 2g caso ela morra e mesmo dizendo o preço real (1700 euros) ainda só fui incendiar mais a fogueira.
 

Telmo Salgado

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Este caso da Nissan é, na minha leitura, consequência direta da venda dos seus ativos e respetiva linha cronológica:

https://www.motorauthority.com/news/1118065_nissan-sells-ev-battery-business

(agosto de 2018)

Provavelmente teriam stock para uns bons meses para a frente (baterias dos Leaf I, várias capacidades) no momento da saída....

Depois, pela crescente e natural procura, esgotaram as existências da referência original e tiveram de mandar fazer para suprir as suas obrigações como construtor.

Ao mandar fazer fora, os custos nesta fase de rampa de procura de células (todas as químicas) são empolados - os fabricantes estão em máxima produção, e a Nissan, além de se ver enfrentada com maiores prazos de entrega, viu também o produto encarecer, e pimba: delega no cliente o custo adicional.

Enfim, já várias vezes o disse como opinião pessoal, a estratégia mais sólida de qualquer construtor é garantir toda a linha de fornecimento das suas peças, e no caso dos BEV, passa necessariamente pelos MG, inversores/controladores e as baterias. A venda da atividade industrial e consequente dependência de terceiros no fabrico faz destas coisas.
O efeito mais indesejado é este: prejudicar o segmento dos BEV! (n)
 

Bruno R. Almeida

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@Telmo Salgado compreendo a logica e definitivamente terá um peso gigante a nível de gestão, no entanto, isto levanta-me 2 questões:

1 - Que raio de gestão de stock's se faz num fabrica para não comtemplar planos de contenção (ou de pânico, como alguns entendidos em gestão gostam de chamar)? Como não há uma previsão de produção, associada ao pós-venda e a possível defeitos de fabrico?

Sabendo, nós leigos, que este componente é essencial em toda a cadeira, como não ter um stock "simpático" para poder em várias frentes estar preparado: incluindo a possibilidade de compra em massa, baixando custos de produção e acautelando inclusive, o risco de mercado com as flutuações de preço, matérias primas, em suma da oferta e da procura?
 

Telmo Salgado

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À luz das melhores práticas de gestão, os stocks devem ser sempre baixos. No caso em apreço, é um item caro, pelo que não me espanta tenha sido emagrecido. O que espanta a todos é não haver para entrega, e quando há, a preços monstruosamente elevados.
 

Bruno R. Almeida

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@Telmo Salgado as melhores práticas? Onde? Nos livros de gestão?
Que os financeiros pressionem as estruturas de decisão para ter sempre o mínimo de stock possível eu compreendo e aceito. No entanto as empresas/fabricantes não podem fazes da sua gestão de stocks's "chapa 5". Por isso a gestão sempre me intrigou e despertou curiosidade!
No caso da Nissan, estou em querer que o Brexit tenha aqui alguma influencia nestes preços, mas ainda assim e não se antevendo capacidade de produção suficiente para ter capacidade de resposta para todas as solicitações (produção, pós-venda e avarias) a gestão de stock's não pode ser feita "by the book". Deveria esta ter um plano de contingência. Ou executar a rotação de stock's um pouco mais de que um plano trimestral!!

Claro que estou a divagar um pouco, pois não tenho números que suportem as minhas afirmações, no entanto, podemos verificar pela reportagem que o Sr. aguardava à 7 meses pela bateria de 30kWh (que nem sequer é a que esta agora nas linhas de montagem). Transmite uma imagem de gestão de "lápis na orelha". Nada expectável para um fabricante n.º 1 em BEV's!
 

Telmo Salgado

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Gestão de produção à bruta: corta nos inventários.
Gestão de produção académica: estuda o impacto dos inventários no processo produtivo.
Gestão de produção esperada de um fabricante sólido e reconhecido: avalia o impacto dos inventários e fornecimento no processo produtivo e no pós-venda.

Como vimos, mal o Leaf I saiu de cena, venderam o fabrico das células deste modelo, um processo de gestão de topo, infelizmente neste caso virado para o resultado imediato. O resto são consequências disso...
 

Artur Santos

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JIT . É a prática. Em Inglaterra, componentes , partes em stock estão reduzidas ao mínimo possível.Demonstrativo da montanha de camiões para a Honda, Nissan , Toyota e outros que fazem a travessia do canal da mancha, todos os dias. E o Brexit, dependendo to tipo de acordo com a GB pode significar tarifas no sector automóvel de 10%, é o que se espera por estes lados. Um simples wheel Arch para o meu CRV híbrido levou duas semanas e meia. Incrivelmente, não havia stock em Inglaterra .
 

Telmo Salgado

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(...)
O efeito mais indesejado é este: prejudicar o segmento dos BEV! (n)
Infelizmente até nas discussões e conversas sobre os meros híbridos que tenho visto na net. Esta peça está viral e alimentou significativamente os mitos dos custos das baterias. É incrível como o desconhecimento geral gere estes casos no sentido de arrasar toda e qualquer eletrificação automóvel. Estou siderado e deveras preocupado no efeito nas vendas de todos os carros menos poluentes.
 
I os mitos dos custos das baterias.
Para este utilizador não é um mito, é uma realidade infelizmente. Agora daí extrapolar que todas as baterias tem este custo é errado.
Alguém referia anteriormente que a Tesla garantia o custo da bateria entre 10 a 12K. Provavelmente em 2017 a Nissan garantiu o mesmo.
 

Luis Neves

Moderator
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Infelizmente até nas discussões e conversas sobre os meros híbridos que tenho visto na net. Esta peça está viral e alimentou significativamente os mitos dos custos das baterias. É incrível como o desconhecimento geral gere estes casos no sentido de arrasar toda e qualquer eletrificação automóvel. Estou siderado e deveras preocupado no efeito nas vendas de todos os carros menos poluentes.
Confirmo. Ontem em conversa com alguns amigos que não via há alguns anos, quando se falou em EV todos sabiam desta história do preço das baterias da Nissan e usaram o facto para duvidar do interesse de terem um EV.

Parabéns Nissan, acabas de conseguir estragar muito do trabalho feito em prol da mobilidade elétrica desde 2011...
 

Paulo Lapa

Active member
Vi a reportagem, é normal a bateria gripar dado ao abuso dos carregamentos rápidos em demasia e vez do carregamento normal, assim encurtou a vida útil muito rápido.
Aqui está um exemplo do que não se deve fazer.
Pelo vi começou os valores em 5k depois para 9k e por último para 30k.
É uma enorme pedra no sapato.
PL
 

Luis Neves

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Pois foi, mas o estrago já está feito.

É incrível como se dá um tiro destes no pé para de seguida fazer o óbvio.
 

Rui Amaral

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Existem rumores que o custo de instalação + IVA ronda entre os 17 e os 20 mil euros, alguem consegue confirmar?
 

Pedro Tiago

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Entretento a Nissan Portugal emite este comunicado:

Comunicado da Nissan Portugal
(.... bla bla bla, a Nissan é lider, bla bla bla)

As baterias são constituídas por 48 módulos que podem ser substituídos unitariamente, evitando assim a substituição integral da bateria.

A Nissan é a única marca em Portugal a possuir centros próprios de reparação de baterias.


(.... bla bla bla, a Nissan é a maior, bla bla bla)

Caso exista a necessidade extraordinária de substituição integral da bateria fora da garantia, o preço fixado pela Nissan a partir de dia 04 de Novembro de 2019, é de 7.000 euros + custos de instalação (+ IVA)”.

Só ficamos sem perceber porque é que veio um responsável da marca, à SIC, dizer o que disse...
 

Telmo Salgado

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Existem rumores que o custo de instalação + IVA ronda entre os 17 e os 20 mil euros, alguem consegue confirmar?
A MO necessária para instalação é cobrada a 50eur+IVA. Mesmo que demorasse 20 horas (upa upa), o custo da substituição seria de 1000eur+IVA.
Esse rumor soa a falso.
 

Telmo Salgado

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Entretento a Nissan Portugal emite este comunicado:

Comunicado da Nissan Portugal
(.... bla bla bla, a Nissan é lider, bla bla bla)

(....)
Gostei fundamentalmente do bom humor associado a esta parte:

Ao longo destes 9 anos os nossos clientes têm tecido muitos elogios em relação ao desempenho e durabilidade da bateria, e não é expectável que tenham necessidade de substituir as baterias durante a vida útil dos seus LEAF e e-NV200.

A diminuição de autonomia é uma coisa menor.
 
Esta saga do preço exorbitante das baterias para o Nissan Leaf só vem demonstrar, uma vez mais, que as pessoas são o pior elo no sistema: primeiro fazem o pior uso dos meios (excessivas cargas rápidas), mentem e são incoerentes na sua acção (atitude da Nissan em não informar e não estabelecer regras claras para o preçário dos componentes, fazer alarido que o Leaf ajuda a combater poluição e destruição do ecossistema do planeta, entre outros), e como já se viu no outro caso relatado neste fórum, mudam as marcas mas as más práticas e modos de estar são equivalentes.
Porque é que nós, o Ser Humano, precisamos de ser "tão animais"? (e lá se vai uma ofensa grave aos animais em geral, que não tem culpa nenhuma...)

Esta trapalhada da Nissan com as declarações dos seus responsáveis e departamentos de comunicação é só as pessoas a serem "pessoas".
É triste, as máquinas tem sempre razão!
 
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