Motor de combustão a hidrogénio vs FCV

Luis Neves

Moderator
Recentemente a Toyota deu mais um passo no rumo ao hidrogénio, apresentando nas 24 horas de Fuji um Corolla equipado com motor de combustão a hidrogénio.

Teve direito a ser conduzido pelo Presidente Akio Toyoda, o que revela bem a relevância que a Toyota persiste em atribuir a este caminho alternativo aos EV.

O motor é um 1.6 litros de 3 cilindros, que poderá estar próximo da produção.

Questão aos entendidos em matérias técnicas: a utilização de um motor de combustão parece simplificar bastante a tecnologia, ao evitar a necessidade de instalação de um sistema fuel cell e bateria. Contudo, parece-me que isso poderá fazer cair a pique a eficiência global do uso do H2, que mesmo no fuel cell já é tudo menos brilhante.

Como se pode encarar o balanço energético e a economia desta nova solução proposta pela Toyota?
 

João Prates

Archie Bunker
Toda a tecnologia é boa, desde que não seja BEV, vale tudo, até queimar H2, mas BEV é que não pode ser... mas eles não são contra BEV... epá se isto não é ser contra não sei o que é!

Akio Toyoda disse:
EVs are taking center stage in electrification, and if everything goes to EVs, then 1 million jobs will be lost in Japan

Não consigo perceber como é que ele chega a esta conclusão, alguém me explica?

Se ele se está a referir a toda a mão de obra necessária para produzir os 1001 componentes de um veículo movido unicamente a combustão, então temos pena, mas a evolução tecnológica nunca foi muito branda ou tolerante com desperdício e utilização de recursos desnecessários.

Se calhar desde o tempo dos Samurais até aos dias actuais também muitos Japoneses perderam os empregos que tinham em determinada altura, para logo depois os reencontrarem noutras áreas.

Por esta linha de raciocínio o Sr. Toyoda também faria parte das pessoas a lutar contra o nascimento e crescimento da informática, das máquinas SLR digitais, dos telemóveis, etc, etc... porque sem excepção todas estas inovações conduziram ao desemprego de muitos milhões de pessoas... de escriturários, de fábricas de filme 36mm, de telefones fixos, caramba até de carteiros... e tanto mais...

Sinceramente este pensamento retrogrado era das últimas coisas que podia imaginar de parte da gestão do maior construtor mundial.
Realmente longe vão os dias em que inovação era a palavra de ordem naquela casa.

Fica a boa memória dos tempos idos.

Quanto à tua pergunta @Luis Neves deixo para os entendidos, só fiz questão de deixar aqui a minha nota de profunda tristeza, desilusão e descontentamento com isto.
 

Luis Neves

Moderator
Eu também tenho alguma dificuldade em perceber, mas há aqui uma pequena parte de mim que pensa que a Toyota tem obrigação de saber mais do que nós...e esta de um motor a combustão de H2 confesso que é algo que nunca tinha pensado.

No mínimo vale a pena perceber se isto pode fazer algum sentido, resultando numa viatura mais barata e durável do que recorrendo à tecnologia FCV.

O primeiro problema que logo me assaltou é a eficiência do processo. Qual a % de energia contida no H2 conseguirá um processo de combustão recuperar? 20%? 30%?

Se for o caso, em vez de 3 a 5x menos eficiente usar um FCV do que um EV, passamos a ter um rácio de 10 a 15x menos eficiente? Não será assim significativamente mais caro andar a H2 do que a gasóleo ou gasolina?
 

Telmo Salgado

Moderator
O uso de H2 em MCI não é novo (List of hydrogen internal combustion engine vehicles - Wikipedia), nem o objetivo é a sua colocação no mercado automóvel(*), trata-se de uma experiência destinada às pistas...no meu ver apenas uma demonstração a favor do H2 como uso mais vasto.

(*) dada a muito inferior eficiência de um MCI relativamente a um FCV, os grandes depósitos necessários teriam uma autonomia baixíssima.

Apesar de ser uma solução que pode ser zero carbono, os receios de custos elevados e de elevado uso de energia têm toda a razão.
 

João Prates

Archie Bunker
Esta conversa não me era estranha, e lá encontrei onde tinha já lido sobre o tema aqui mesmo na Ecomove e tudo, basta dar lá um salto e ler:


Este tópico deve ter passado ao lado do @Luis Neves ... não vou puxar os posts para aqui senão vão aparecer antes da pergunta original que é posterior e fica tudo muito estranho.
 

Luis Neves

Moderator
Obrigado pela escavadela, não me lembrava desse tópico. Pronto, basicamente confirma a impraticabilidade da coisa, o que torna esta aposta de marketing ainda mais estranha - o objetivo deve ser o de puxar indiretamente pelo H2 FCV.

Ocorreu-me logo a questão da eficiência, mas não tinha pensado na complexidade do motor devido às temperaturas de queima mais elevadas, nem da consequência da ineficiência: depósitos gigantescos para uma autonomia razoável.
 

Telmo Salgado

Moderator

JFCalero explica um pouco mais dos requisitos que levaram à falha comercial dos MCI a H2.
Também levanta o véu de um outro motor experimental.
 

Telmo Salgado

Moderator
Não é a comunicação mais "científica", mas permite ter uma ideia...
 
Top Inferior