Mirai 2021 - contacto Ecomove

Telmo Salgado

Moderator
Toyota Mirai 2ªgeração (JPD20) - Contacto

(parte I)

No passado dia 12 de maio, Ecomove pôde finalmente experimentar o Mirai de nova geração.

Calhou-me a mim, como membro permanente do Conselho de Moderadores do Fórum da Ecomove!

Primeiro pude assistir a uma pequena apresentação da tecnologia, em que foi destacada a evolução face à primeira versão do Mirai (JPD10), lançada há 7 anos, e onde se enquadram as motorizações de Fuel-Cell como parte integrante do leque de tecnologias mais sustentáveis para maiores distâncias.

O engenheiro responsável pelo Mirai descreveu as linhas mestras desta geração, e pôde destacar as evoluções nos componentes essenciais, que permitem maior autonomia e redução de custos, bem como o uso de uma plataforma originalmente destinada ao Lexus GS, algo maior que a original "new MC" que já provinha do Prius e de muitos outros modelos do grupo construtor.

Com esta geração poderão sentar-se 5 pessoas, e levar um pouco de bagagem.

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São 271 litros, um volume abaixo do minimamente aceitável para um compacto familiar, e que na minha opinião parecem manifestamente curtos para esta berlina de 4 metros e 89 centímetros.


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Considero que este comprimento insere o novo Mirai a categoria dos médios/grandes familiares, algo acima do segmento D e contra os quais luta em preço. Mas oferece muita qualidade, sem dúvida.


Levantando o capô, surge esta designação, que rapidamente nos faz sentir que já nada é como dantes, e que no futuro também ouviremos falar disto...

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Interior

Apesar do símbolo Toyota, associado a uma marca generalista, os revestimentos interiores são de excelente qualidade. Temos a sensação de Lexus, que é confirmada quando a máquina está em movimento, com a ausência de ruídos parasitas e uma insonorização referencial. É incontornável, deixa uma marca nos nossos sentidos, o Mirai traz aos passageiros um nível de conforto soberbo.


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Na frente temos espaço e controlo dos comandos:

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...Já quem viaja atrás tem um pouco menos de volume, em particular no lugar central, com as pernas a terem de contornar o túnel central.

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Com o banco do condutor ajustado à altura do mesmo, sobra este espaço para as pernas dos passageiros traseiros:
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Um espaço aceitável, e sob os bancos dianteiros conseguem-se encafuar os pés/sapatos dos passageiros, embora à justa:
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E em altura, também aceitável o espaço livre acima da cabeça:
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Que dizer dos bancos? Um conforto e um amortecimento de elevado nível. É para executivos, permitindo longas viagens em trabalho sem vincos na vestimenta, ou pais de família que se prometeram a si mesmos merecer. Em andamento foi comprovado!

O equipamento inclui, nesta versão ensaiada e que pode diferir das ofertas previstas para Portugal, espelho digital, head-up-display (HUD) e teto panorâmico.
O HUD em ação, com as minhas desculpas para a captação:
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O painel de instrumentos possui várias configurações, nomeadamente o central, inteiramente digital. Nesta viatura ensaiada estava a ser exibida a dos consumos instantâneos e da viagem em curso, que optei por manter, mas também por não ter tempo para explorar, preferindo apreciar este contacto dinâmico.






Exterior

Grande. Já foi referido, se o interior impressiona pelo nível de conforto e qualidade, o exterior transmite uma sensação de grandeza e de porte.


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A configuração berlina de 4 portas tem vindo a perder o seu quinhão de relevância para os veículos sobreelevados e de genes mastodônticos, de utilidade questionável, comportamento e consumos melhoráveis, com as designações SUV e crossover. É neste momento, em que o prestígio está em ser diferente, que reside a magia de se fazer transportar num sedoso e confortável sedan. Acredito que se manterão à venda estas configurações…


(ver parte II)
 
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Telmo Salgado

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(parte II)



Condução

Destaca-se a suavidade na resposta ao acelerador. É virtualmente impossível detetar, dada a insonorização, a partir do interior, os momentos em que a FC está a produzir eletricidade para o motor elétrico ou para a bateria. Não existe aquele momento de transição que é notório nas motorizações híbridas, aqui tudo de se passa com uma linearidade assemelhada à de um veículo elétrico.

O trajeto disponibilizado, em caravana, talvez pelo facto de ser constituída por Mirais de matrícula belga, não permitiu a exploração da potência nominal, que é de cerca de 150kw. Será um dos aspetos que num contacto mais alargado deverá ser possível experimentar, lá para o outono, altura em que o importador Toyota Caetano Auto Portugal prevê ter viaturas disponíveis.

O conforto é de elevado nível, não só pelo já explicado recurso a uma plataforma com rigidez estrutural relevante, aos bancos de espuma bem projetada e envolvência e à absorção de vibrações e sonoridade do exterior, e também todo um “sentir” que o condutor pode usufruir, numa espécie de ligação física entre as costas e braços a todo o chassis. É uma caraterística que as novas plataformas com base no fabrico TNGA.

E até com as enormes jantes de 20” não se sente o mau piso:
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Qualifico como excessivas face aos requisitos técnicos, impondo um peso não-suspenso adicional e piores consumos. Deveria ser cada vez mais um motivo de função e não de estética. Acresce a este motivo também o preço dos pneus, que serão bem mais caros do que os de medidas mais racionais.

As câmaras traseiras, cujas imagens vemos no “espelho” interior e no ecran central a baixa velocidade, permitem uma visualização e quando a estacionar um auxílio precioso.

Espelho digital:
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Tecnologia


Para alimentar a célula de combustível, o Mirai requer hidrogénio com pureza de 99,75% como referido na ISO 14687. Os depósitos de fibra de carbono deverão encher num tempo que se estima entre 3 e 5 minutos, e com a pressão de 700bar, carregando 5,6kg, permitem uma autonomia que excederá os 600km. Tendo em conta os consumos nestas voltas de teste, que oscilaram entre os 0,85kg e os 0,9kg, esse valor de autonomia é possível. Ficará adiada a confirmação num teste a velocidades maiores, que é o cenário que espera uma berlina desta dimensão e conforto.

Consumo no término do contacto - 0,84kg/100km:
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Para abastecer temos um comando para abertura da portinhola, que a viatura protesta em termos de segurança e só deixará abrir se estiver IGN OFF:
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A célula de combustível funciona um pouco como o MCI dum híbrido, desligando e ligando, usando a bateria para se ajustar aos pedidos do condutor, devido ao tempo de resposta do sistema de alimentação de hidrogénio e ar.

A filtragem do ar de admissão é igualmente necessária, e a marca usa como proveito ao publicitar que o Mirai limpa o ar que por ele passa, removendo NOx e PM2.5 num filtro químico que diz isento de manutenção.

Esta tecnologia é bastante complexa, e requer um controlo muito apertado de interação dos diversos componentes, não sendo de estranhar que até agora a maior parte dos construtores a tenha disponibilizado apenas como veículos de testes/laboratório e em regime de leasing. Nos dias de hoje ao cliente particular só existe este modelo FC a Hidrogénio para venda, a par do Hyundai Nexo, não estando para já previstas mais apostas de outros construtores.

É porém, uma proposta que neste contacto se revela surpreendentemente madura, e verdadeiramente apta ao serviço pretendido. Faz lembrar um pouco o Prius de 2ªgeração, um modelo que ainda hoje dá cartas e que surpreendeu o mundo ocidental em 2004, constituindo a base para toda uma gama de Toyotas. Parece-me uma aposta honesta num lugar ao sol num futuro leque de propostas de zero-emissões.

Por fim, atrevo-me a tecer os meus comentários sobre o hidrogénio. Na aposta da União Europeia de cortar emissões de CO2 é bastante evidente o roteiro de criação duma Economia do Hidrogénio a partir de fontes renováveis. O uso em transportes de grandes dimensões parece estar mesmo cada vez mais perto, seja na ferrovia, no marítimo e na aviação. No transporte rodoviário pesado tudo sugere que será bastante presente esta tecnologia, mas pode-se dizer que o Toyota Mirai nos demonstra que se pode considerar esta opção nos ligeiros. O requisito é que este Hidrogénio seja de fonte renovável, e só esse merece o suporte comunitário. Já que no balanço energético o FCV é desfavorável a uma solução de carro elétrico a bateria, pelo menos que o prejuízo em energia seja limitado e não incorra em mais emissões.

Porque o carro FCV existe, o Mirai (futuro em Japonês) pede agora o H2 verde para fechar o ciclo que para todos será positivo.



Prós

Conforto

Insonorização

Tecnologia inovadora



Contras

Espaço para as pernas dos passageiros traseiros

Preço

Locais de abastecimento escassos
 
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Telmo Salgado

Moderator
Telmo, alguma previsão de estações de H2 em Portugal, quando e onde? Neste momento não existe nenhuma, correto?

Viva, Luís.

Na altura deste contacto não havia nenhuma. Já perguntei para vários interlocutores e quando souber aviso.
 

Rui Santos

Saturn_Guardian
O primeiro ponto vai ser na sede da SC em Gaia. Espero que os postos de abastecimento sejam logo 100% privados para não ser a vergonha que é a rede mobi.E.
É encarar o carro da mesmo forma que o Prius ou o Leaf, é o arranque mais sério para uma nova forma de mobilidade.
Venham mais ofertas para baixar o custo de aquisição e os postos de abastecimento.
A meu ver é mais Lexus Mirai que Toyota lol.
 

Alexandre Jesus

Active member
Olá Telmo, boa análise!
Esqueceste de referir nos "Contras" o volume da bagageira? Fiquei com a ideia que seria pequena para o segmento.
Os locais de abastecimento são escassos ou inexistentes? No vídeo foi referido terem que levar os carros num camião até Espanha para reabastecer!
Outra informação do vídeo que acho piada: a Toyota anuncia que o carro purifica o ar que respiramos... Purifica tanto que até retira o oxigénio! Ou nós já não precisamos de oxigénio para respirar? Provavelmente não, tão habituados que estamos a viver nas cidades saturadas de gases de escape!
Como será que o Mirai se comporta atrás de um VW quitado, daqueles que deixam uma nuvem de fumo preto quando aceleram? Engasga-se?
Não consigo deixar de comparar com o Model 3 da Tesla: não me parece que a autonomia seja muito diferente, com o americano a poder ser carregado até em casa; espaço interior e bagageira inferiores; peso e aceleração superiores (não sei como é que a Toyota argumenta que seria 300 kg mais pesado se fosse só eléctrico)...
Enfim Telmo, desculpa estar só a falar do vídeo mas não tenho mais nada para implicar com a tua análise. A culpa é de quem colocou o vídeo aqui... ;-)
 

Nuno Cardoso

Well-known member
Não esquecer que na origem o H2 foi separado do O2, sendo libertado localmente na produção.
Meia verdade... Se for por Steam Reforming do gás natural a quantidade de O2 libertada é mínima ou nenhuma, sendo sobretudo libertado CO e CO2, no entanto, se estivermos a falar de Eletrólise da água aí sim, 2H2O -> 2H2 + O2 ;)

Mas a FCV consegue para mim ser mais vantajosa que um ICE ou hibrido uma vez que não é libertada partículas poluentes pela viatura em andamento, aliás, como é referido, estas partículas são absorvidas pelo filtro, dando assim o balanço negativo ao número de partículas no ar e ser possível apregoar que limpa o ar. Dependerá sempre da fonte do hidrogénio.
 

João Prates

Archie Bunker
Esqueceste de referir nos "Contras" o volume da bagageira? Fiquei com a ideia que seria pequena para o segmento.
Referiu antes, mas sim, podia constar no final nos prós e contras tb:
São 271 litros, um volume abaixo do minimamente aceitável para um compacto familiar, e que na minha opinião parecem manifestamente curtos para esta berlina de 4 metros e 89 centímetros.

Os locais de abastecimento são escassos ou inexistentes?
Aparentemente vamos ter a "breve" prazo 2 postos de abastecimento, não sabemos é ainda onde, mas deve ser grande Lisboa e grande Porto, deduzimos nós.

Purifica tanto que até retira o oxigénio! Ou nós já não precisamos de oxigénio para respirar? Provavelmente não, tão habituados que estamos a viver nas cidades saturadas de gases de escape!
LoL essa teve piada sim senhor, estiveste bem. :LOL:
Mas como já foi referido tudo depende do método de isolamento do H2, tal como nas baterias o impacto depende da sustentabilidade e responsabilidade ambiental e social das minas de lítio, cobalto, etc. Nada se cria, tudo se transforma, os recursos são sempre transformados de alguma forma.

Não consigo deixar de comparar com o Model 3 da Tesla: não me parece que a autonomia seja muito diferente, com o americano a poder ser carregado até em casa; espaço interior e bagageira inferiores; peso e aceleração superiores (não sei como é que a Toyota argumenta que seria 300 kg mais pesado se fosse só eléctrico)...
São categorias diferentes acho eu, e se fores comparar o equipamento e qualidade dos materiais, não tem nada a ver.
Seria mais parecido comparar um Model S, mas julgo que o mais correto seria pensar em equipar O MIRAI com os materiais e equipamentos tal qual a versão a H2 mas com baterias em vez de FC, e aí terias os 300 kg de diferença. Os equipamentos e materiais de qualidade pesam e bem, e se vires o peso de um Model S que faça 600 km (julgo que só o 100) vais ver que o peso é superior ao Mirai.

Enfim Telmo, desculpa estar só a falar do vídeo mas não tenho mais nada para implicar com a tua análise. A culpa é de quem colocou o vídeo aqui... ;-)
Epá pareces as minhas mulheres aqui de casa, a culpa é sempre minha!
Estás à vontade, tenho as costas largas, já estou habituado!
:ROFLMAO::ROFLMAO::ROFLMAO::ROFLMAO::ROFLMAO:
 
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