Kit PV

Camaradas,

fico ocm a sensação que vocês ou são profissinais (nada contra) ou percebem na prática disto.

Eu quero instalar um sistema simples , independente da EDP. Vi uns kits interessantes da Damiasolar.

Contactei a empresa com umas perguntas mas quem me respondeu percebe menos daquilo que eu.
Juro.

Já alguém mandou vir da Damiasolar? é seguro, sério?
 

João Prates

Archie Bunker
Tenho uma empresa de equipamentos de energias renováveis (Ecowatt), onde por sinal este servidor (Ecomove) está alojado, portanto vou-me abster de tecer comentários sobre outros concorrentes a menos que veja que a segurança de alguém está em perigo.

Vou mudar o nome do teu tópico para kit PV para não ser focado em marca alguma, e vais nos dizer exatamente o que é que tens em mente para vermos como te ajudar, e com isto podemos ajudar quem mais nos lê. Depois a quem compras é contigo.
 
Não fazia ideia Prates...

O que eu quero é um sistema solar + eólico que sirva para abastecer aqui o meu "escritório" para ter o PC ligado 24h/dia a crunchar dados do BOINC, mais a TV/box/playstation do miúdo e um frigorifico (normal classe A). Se sobrar energia... depois abastece mais coisas, claro.
O Inversor , na minha ideia, deve ser para 2500/3000 W (pico para ai...5000 ou mais). e se sobrasse mesmo carregava o futuro e-niro a 8 amperes, nem que fosse um par de horas ... só pela piada!

Notar bem que este sistema nunca tocaria na EDP, NUNCA!!! Tomadas autónomas!
Por exemplo aqui no meu canto de trabalho tenho a tomada "normal" da EDP e teria uma outra tomada proveniente do "solar"

a ideia do eólico é parva e tenho a ideia que não renderá mas por 500 paus arrisco, até porque já tenho a estrutura montada há anos. Aqui tenho vento relativamente estável e fico num local alto sem prédios ou afins a criar turbulência.
 
a e tenho a ideia que não renderá mas por 500 paus arrisco, até porque já tenho a estrutura montada há anos. Aqui tenho vento relativamente estável e fico num local alto sem prédios ou afins a criar turbulência
@Carlos Bernardino eu não diria isso! Também apostaria nessa estratégia. De dia aproveitamos o sol nos painéis, e o vento do gerador, de noite continua a produção eólica. Agora, convém que se façam umas contas das necessidades de consumo para não se correr riscos de produzir em excesso já que esse excesso, segundo testemunham alguns membros aqui do fórum com a experiência prática que eu não tenho, não vale nada em termos de €€€.

Parabéns pela aquisição do e-Niro! Felicidades!
 

João Prates

Archie Bunker
A ver se começo a recuperar tópicos atrasados, a começar por este... ora cá vamos com a minha opinião/contributo... sentem-se...

De dia aproveitamos o sol nos painéis, e o vento do gerador, de noite continua a produção eólica.
Na teoria isso parece muito bem, mas na prática infelizmente é raro ser tão simples vermos esta premissa a ser validada.

1) Sobre as fichas técnicas e performance prometidas

Antes de mais convém termos boas referências sobre os aerogeradores (AG) escolhidos, caso contrário vai ser a desilusão completa.
Pesquisem um pouco a internet, e vêm inúmeras situações de gente que se dá ao trabalho de montar os aerogeradores nos carros e autocaravanas e rolar a determinada velocidade para simular a velocidade do vento, e por vezes mesmo acima dos 60 km/h vêm correntes ridículas a passar, produção praticamente zero. É vergonhoso.

Quando vejo estes aerogeradores a 500 paus... quando a esmola é muita... percebem? Não tenho prova alguma que não funcionem ou que não produzam, mas é de desconfiar.
O que vos recomendo é que seja neste caso seja noutro qualquer instalem SEMPRE sistemas de monitorização capazes de medir e registar a energia produzida em tempo real.
Comprando pela internet, se aquilo for um logro, se não produzir o que promete, têm pelo menos a possibilidade legal de devolver e exigir o dinheiro de volta.

2) Sobre o produzir energia de noite quando não há sol

Não sei bem porquê, mas parece ser um consenso generalizado que quando não há sol para produzir pelo PV produzimos SEMPRE pelo AG, o que é totalmente falso.
A menos que morem numa zona francamente ventosa do litoral, onde isto é menos difícil de obter, garanto-vos que o vosso AG vai passar mais de metade do tempo parado.

Querem ter só por fantasia, por gosto, ou por imagem, o que seja, então tudo bem.
Querem ter porque compensa do ponto de vista do retorno do investimento? Então parem para pensar e agir primeiro, ANTES de comprar o AG.

Quando falamos de produção PV, é inacreditável a quantidade de software mais ou menos profissional e preciso que existe hoje em dia.
Há bases de dados sobre radiação solar no solo com mais de 20 anos de histórico, e com uma granularidade incrível, é facílimo estimar a produção PV anual para uma localização.
Não há 2 anos iguais, mas em média a simulação se calhar vai-se desviar uns 10 ou 15% quando muito, e isto se não forem dados 100% precisos a ser introduzidos.

Já nos AG é literalmente impossível utilizar qualquer simulação, porque cada caso é um caso, os obstáculos em volta da instalação ditam a produção tanto ou mais que qualquer elemento atmosférico que se possa usar para base da simulação.
Nunca recomendo que instalem AG sem primeiro instalar um simples anemómetro, uma estação metereológica do mais simples que arranjarem, só para medir a velocidade do vento ao longo de um ano completo.

Aposto que vão ter uma surpresa enorme com os dados registados, e com 80% ou mais de certeza vão desistir da ideia.
Em alternativa procurem estações metereológicas perto de vós, mas lá está, a envolvente pode ser bem diferente da vossa, e isso muda tudo se for o caso.
Se tiverem o anemómetro instalado no preciso local e altura a que pretendem instalar o AG, e as leituras indicarem justificar a sua instalação, então sim, avancem sem medo!

Em resumo:
  • Com PV eu sei precisamente quanto vou produzir por mês, por ano, o que for preciso, com margem de erro mínima.
  • Com AG é uma "carta fechada", e os dos poucos casos que conheci que instalaram AG, só um (@José Magalhães) não se arrependeu e não trocou por mais PV.
  • Muito raramente o mesmo dinheiro no sistema AG investido num sistema PV não devolve maior retorno, tanto financeiro como de energia gerada por ano.
  • Para mim não faz sentido algum avançar com a instalação de um AG sem um estudo prévio... eu faço estudos prévios com PV, quanto mais com AG...
3) Sobre sistemas autónomos

Afinal o sonho de todos, não é verdade?
Ter um sistema totalmente independente da rede...

Já quando fiz a minha casa pensei nisso, planeei isso desde o início, mas depois de estudar bem o tema, e de reunir com os experts da matéria tal como o INESC, cedo percebi que era uma minha utopia louca e sem sentido. Tendo postes da EDP Distribuição junto à casa, seria louco não comprar a energia barata da rede e ir gastar 10 vezes mais em autonomia.

Muita coisa mudou desde então, mas ainda hoje com o preço das baterias a ter descido significativamente até há um par de anos, continua a não ser rentável ser autónomo.
Só em casos muitíssimo excepcionais compensa, com consumos industriais em horas de ponta por exemplo, mas para um particular é mandar dinheiro fora ou por gosto apenas.

Por outro lado a complexidade dos sistemas autónomos aumenta consideravelmente face a sistemas grid-connected, e são também por isso mais dispendiosos, tornando ainda mais difícil a tarefa de obter retorno do investimento dentro do tempo de vida útil dos equipamentos.

Se é difícil e custoso justificar o uso de baterias em sistemas grid-connected para armazenar energia supérflua produzida pelo PV (e/ou AG), é virtualmente impossível conseguir isso com sistemas autónomos.

A regra é simples: Sistemas autónomos só em caso de necessidade absoluta (imaginemos um local remoto onde só pedir ramal à EDP custaria vários milhares de euros), ou em casos de urgência como backups de sistemas médicos ou de antenas retransmissoras de telecomunicações isoladas no meio do campo por exemplo. Se tens rede eléctrica por perto, usa-a!
 
Última edição:
Grande resposta Prates. Excelente.
Infelizmente ou felizmente já avancei no projeto.

Na realidade eu tenho estação meteorológicahá mais de 10 anos o que me me permitiu ver não só a intensidade do vento mas a estacionaridade do regime. Ter muita energia caótica não leva a nada.
Confesso que avanço sem expectativas porque, como foi dito, com 500 euros não se pode pedir grande espingarda. Vamos ver . Neste omento e com o dinheiro que vou gastar no meu BEV não tenho margem para mais!!

Obrigado a todos e vou dando notícias.
 

João Prates

Archie Bunker
Na realidade eu tenho estação meteorológicahá mais de 10 anos o que me me permitiu ver não só a intensidade do vento mas a estacionaridade do regime. Ter muita energia caótica não leva a nada.
Excelente! Ora isso é mesmo a situação ideal!

Confesso que avanço sem expectativas porque, como foi dito, com 500 euros não se pode pedir grande espingarda. Vamos ver .
LoL vais ser a cobaia da malta... se resultar avisa, ficamos a saber de um modelo barato e bom (coisa rara)!
Boa sorte!
 
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