Diário de Bordo Prius 1G - 2002 - Tiago Costa

Tiago Costa

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Boas,

há uns dias quando me apresentei aqui no ecomove prometi criar em breve um DB de uma viatura pioneira na electrificação do mundo automóvel.
Certamente os que viram adivinharam o que aí vinha!

Como decerto saberão, algumas tentativas foram feitas aqui e ali ao longo do Século XX para introduzir a eletrificação na indústria automóvel. Com pouco sucesso.
Seria preciso esperar até ao final de 1997 para a Toyota lançar a sua visão de mobilidade sustentável para o novo Milénio. Foi nesse ano que estreou no Japão o primeiro Prius (NHW10) galardoado de imediato com o Car of the Year nacional. Ao fim de 3 anos e cerca de 30.000 unidades vendidas (a perder dinheiro) terminava a produção do primeiro híbrido de produção em massa. Na minha opinião não podia encerrar de melhor forma uma década de absoluta afirmação da indústria automóvel nipónica.

O pontapé de saída estava dado e era altura de conquistar o mundo. Ainda no ano 2000, o modelo sofre algumas alterações mecânicas e estéticas, passando a estar mais apto às maiores distâncias percorridas habitualmente nos continentes europeu e americano. Surge assim o NHW11 que se mantém 3 anos em produção com mais de 100.000 unidades vendidas. Desta feita pelo que se diz a marca já conseguiu o break-even, ou seja, não perdeu dinheiro por cada unidade vendida. De notar que este chegou ao mercado internacional já depois do Honda Insight. No entanto a Honda, talvez por não acreditar tanto, ou então por não ter o mesmo poderio económico, acabaria por não desenvolver a sua tecnologia com o mesmo afinco que a Toyota.

Seria preciso esperar pela segunda geração para o Prius chegar ao conhecimento do público geral. Esse sim é o Prius que nos habituámos a ver. Tanto por culpa das melhorias de engenharia como também da publicidade gratuita da malta de Hollywood, que passou a deixar os supercarros em casa e usava os Prius para cultivar uma imagem mais activista. O Prius 2G construía imenso sobre a excelente receita da primeira geração. O Hybrid Synergy Drive substituía o Toyota Hybrid System, e os Híbridos estavam de vez no mapa.

Mas é ao NHW11 que este DB se dedica.
Viatura de 2002, com um histórico de manutenção praticamente perfeito e num estado que envergonha muito semi-novo. Acabo de me tornar dono de provavelmente um dos mais bem conservados Prius 1G em Portugal. Após uma primeira viagem de cerca de 300km apresenta agora 128.000km. Admito já que não tenho grande jeito para fotos, nem o local ajuda!

Segue o meu TG.

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As colunas na chapeleira, à guna nos anos 90 :LOL: e duas pequenas grelhas de respiração das baterias. De acordo com os manuais da viatura não é recomendável pousar coisas por cima.

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E a grelha de arrefecimento exterior. Existe apenas uma no lado esquerdo do carro.

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Um interior muito acolhedor

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O estado imaculado mantém-se nos lugares dianteiros.
De notar os tapetes que apesar de destoarem um pouco (preferia ter uns à cor bege) são originais e o do condutor tem inclusivé o lettering Prius.

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O tablier da viatura, onde se destaca:
- O característico painel de instrumentos central, um versão rudimentar do que podemos encontrar no actual 4G.
- O ecrã a cores touchscreen com uma definição bastante razoável e já com as funcionalidades de informar sobre os consumos e monitor de energia, bem como controlar o sistema de áudio. O ecrã está muito bem resguardado do sol no sítio onde se encontra. Curiosamente dá para entalar ali sem problemas um smartphone actual de 5.5" e usar o Maps. Para desenrascar não é necessário inventar com suportes de smartphone nas grelhas.
- Rádio com leitor de cassetes.
- Destaque também para o selector de Marcha, já com as posições que se mantêm na maioria dos Hybrid actuais (P, R, N, D, B).
- Ar-Condicionado Automático. Nesta viatura o AC ainda é mecânico. Funciona muito bem no entanto acaba por anular o efeito stealth pois impede-nos de estar parados no trânsito com o motor desligado.
- A gaveta abaixo é uma arrumação onde podemos colocar uma carteira ou smartphone se não forem muito grandes. No mercado americano está lá o leitor de CDs que poderia ser multi-disco. Não sei se foi opcional em Portugal.
- Terminamos com a tomada de isqueiro e respectivo cinzeiro, ambos nunca utilizados.

Se fizerem zoom conseguem ler os botões, alguns dos quais não utilizados no mercado nacional. Os botões para o já referido leitor de CDs bem como navegação. Também não sei se isto foi opcional em Portugal.
Outro dos botões alterna entre os vários ecrãs. Inclusivé é possível já nesta viatura desligá-lo para uma condução mais confortável à noite.

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Um porta copos duplo que abre e fecha com um clique bem fixe. Por baixo há ainda outro compartimento onde podemos colocar pequenos objectos. O suficiente para o porta-chaves de casa.

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Para já é tudo! Infelizmente ia com pressa pelo que não abasteci para registar o primeiro consumo. Começarei no primeiro abastecimento que fizer o registo no spritmonitor.

Posso afirmar sem qualquer reserva que esta é uma viatura que envelheceu bem, com um nível de habitabilidade muito satisfatório. Claro que é notório o bambolear tipo barco na suspensão. O carro flutua. Isto aliado a uma direção muito leve leva a que estejamos constantemente a fazer pequenos ajustes na direção. A viatura acaba por ir mais direita se largarmos o volante do que propriamente a conduzir de forma descontraída!

A performance satisfaz, com o carro a corresponder muito bem e sem qualquer hesitação. Surpreendeu-me pela positiva a parte acústica. Tanto o sistema de som do carro é bem decente, como o ruído em aceleração fica algo abaixo de alguns híbridos posteriores da marca. Afinal de contas, o Prius é o flagship!

Espero que achem interessante. Alguma dúvida que tenham sobre esta geração força!
 
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Telmo Salgado

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Eu não tenho dúvidas sobre esta geração!
Tenho uma admiração enorme, uma vénia cada vez que vejo um na net e um chorrilho de fotos quando me cruzo com um na estrada.
O Alexandre Jesus emprestou-me as chaves do dele, e andei nas nuvens...durante e depois, tal a simplicidade com que a viatura nos dá o seu melhor.
 

Tiago Costa

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Bolsa dos Manuais estilo dossier em muito bom estado

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Julgo que tenho todos os manuais excepto o principal, o manual de utilizador.

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A chave que está em utilização é uma suplente sem comando.

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As duas chaves de comando estão partidas. Tratarei de substituir pelo menos uma delas o quanto antes.

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À noite com as luzes ligadas o carro assume uma iluminação verde muito agradável. O ecrã, felizmente, fica completamente preto, a fazer lembrar o modo-noite que agora podemos activar em alguns sites e nos nossos smartphones. Será certamente muito agradável conduzir assim. Como já referi o ecrã pode-se desligar também. Basta clicar 2x num dos vários botões presentes.

Este ecrã tem também um modo de diagnóstico que passarei a mostrar mais à frente. Permite rapidamente ver o estado de funções básicas do carro como a voltagem da bateria de 12v. Ou até diagnosticar as cores e estado do touchscreen.

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A bagageira está imaculada. Em relação à capacidade não tenho a mínima curiosidade acerca da capacidade em litros, mas parece-me o suficiente para os 4 ou 5 possíveis passageiros.

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Os letterings de época

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O tal modo de diagnóstico do ecrã touchscreen que descrevi antes.
Esta viatura já equipa com Porta OBD e é, julgo eu, compatível em parte com as apps Dr. Prius e Hybrid Assistant, dependendo do dongle que usamos.

 
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Tiago Costa

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Mais alguns pormenores:

O Cofre do motor, de notar alguma ferrugem nos vários apoios frontais, que deduzo que tenha começado nos parafusos. Nada de muito preocupante para já. De resto tudo impecável.

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Tampa do Inversor

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Curiosamente, o depósito do liquído das escovas tem um nível

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Após mais alguma condução dá para perceber que a utilização eléctrica em plano e em velocidades dos 0 aos 50km/h é mais a regra do que a excepção, tendo-me sido possível, sem trânsito, atravessar Loures praticamente toda sem recorrer ao MCI. Claro que isto obriga a acelerar de forma bastante ténue.
É pena que a luz EV que caracteriza os Hybrid da Toyota actuais ainda não existia neste 1G. Ainda assim facilmente nos apercebemos quando o carro rola sem o MCI a trabalhar. O monitor de energia é idêntico aos actuais.

Coisas da idade:
- O leitor de cassetes reproduz sem problemas mas acrescenta um ligeiro clic clic clic audível quando temos o volume quase no mínimo.
 

Tiago Costa

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Incrível a baixa kilometragem do carro.
A bateria de tração é a original?

Substituiu em 2017. Ela mostra muita saúde de momento. Manobras em declives acentuados aguenta-se em D e R em EV. E cruza sem problemas dos 0 aos 50 ou 50 e pouco em EV, logo que plano ou muito pouco inclinado.

Update

Ao terceiro dia continuo rendido a este primeiro Hybrid.
Uma particularidade que notei é, por exemplo, estou a chegar ao destino e a estacionar em EV tranquilamente. Mal passo para P o motor de combustão arranca. Ou pelo menos faz isso se as luzes estiverem ligadas. Hoje de manhã vinha com tudo desligado, incluindo rádio, e ao passar para P o motor já não arrancou.

Fiz o reset aos consumos depois da primeira viagem quando fui buscar o carro. Desde essa altura esta é a média estimada de 87km.

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Vamos ver depois no spritmonitor quando voltar a abastecer se corresponde.
 
Mal passo para P o motor de combustão arranca.
Isso irrita!
O que faço é desligar o motor antes de colocar em P.
E acho que nada tem a ver com as luzes estarem ligadas.
Aviso que a Toyota já não fabrica peças para esse carro. Se fôr preciso alguma peça, reza para que ainda haja stock. 🙂
Boa sorte com o brinquedo!
 

Tiago Costa

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Eu o que notei é que com luzes ligadas sem excepção P põe o carro a trabalhar. Luzes desligadas é raro. Ou então inicialmente arranca mas pára muito rápido.

Quando desligas antes de passar a P não levas logo com um aviso no touchscreen a dizer para desligar sempre em P para não descarregar a bateria?

O teu é de que ano e de que cor?

Obrigado!
 

Tiago Costa

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Pelo que consegui perceber com trabalhadores antigos meus colegas, também houve aquele tom azul metalizado clarinho, bem como branco. Mas parece que terão sido vendidos apenas poucas dezenas de Prius 1G no total.
Já agora, segundo colegas da oficina, fazem manutenção no Prior Velho 2 ou 3 unidades apenas.
 
É verdade que me cruzei com um branco há alguns anos, em Vendas Novas, mas achei que teria sido importado...
Não sei se ainda tenho o catálogo, mas lembro-me que não havia possibilidade de escolha da cor.
Como opcionais havia o GPS e o estacionamento automático, mas eram caríssimos! Duvido que alguém tenha comprado com isso.
 

Tiago Costa

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Sei de um antigo vendedor, agora chefe, que na altura diz ter vendido 5 a uma câmara municipal. Outro colaborador da TCAP, responsável pelos carros de imprensa, também diz ter tido por lá o tal azul metalizado. Da mesma forma que apareceu o AWD-i que vendi há umas semanas. Não sendo carros comuns, provavelmente a TCAP pediu alguns.

O teu tem tapetes pretos?
O meu está com uns tapetes pretos em excelente estado, o do condutor até diz Prius. Mas acho que uns a uma cor aproximada à da carpete ficariam bem. Um beige ou cinza.

Update

Iluminação nocturna não lhe fica mal

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EDIT: Esquecia-me!
Hoje foi dia de Revisão onde mudou óleo e filtros. Prontinho para uma viagem este fim-de-semana (justificada!!!) de uns bons 700km. Dá-me alguma pena estar a pôr quilómetros no carro assim, mas por outro lado também quero já perceber o que é que o carro consumiu em 5 dias e cerca de 200km de condução maioritariamente citadina, e depois ver qual a média de um depósito maioritariamente de autoestrada.
 
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Tiago Costa

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ahah imagino! Eu acho piada a carros com elevado número de quilómetros. Apartir dos 300.000 começa a ter a sua piada :)
Até agora alguma coisa com o inversor ou baterias, ou outra coisa que tenha surgido?

Para além da revisão normal, para a semana o meu deverá trocar o fluído ATF. Não será apenas drenado e posto novo. Será desmontado o cárter da Caixa e será lavado, juntamente com o filtro de rede. Isto deverá ajudar a manter a caixa o melhor lubrificada possível.
 
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A Toyota trocou a bateria aos 160 mil km e 8 anos.
Troquei o MG2 depois disso.
Neste momento está bem de saúde.
Gostaria de trocar o automatismo do fecho da porta do pendura mas não há.
Depois de várias desilusões deixei de confiar nas oficinas da Toyota...
Continuo a achar que é um veículo bastante fiável.
 

Tiago Costa

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É específica do Prius a pistola de porta?
Há-de haver alguma solução, seja com new old stock ou aftermarket.

É pena ficares com essa ideia! A experiência que tenho pelo menos aqui em Lisboa é outra.
Temos cá malta que respira Toyota.
 

Tiago Costa

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Julgo que para esse tipo de peça haja sempre solução. Até existem kits genéricos para instalar fecho centralizado em carros que não o têm. Não existindo é melhor ter algo do que nada acredito. Infelizmente para outras partes específicas como as do sistema híbrido ou mesmo o painel de instrumentos ou touchscreen, é que um dia poderá vir a ser complicado encontrar soluções. Mas também poderá ser que a Toyota um dia volte a produzir para este modelo.

Já existem vários exemplos de modelos icónicos de várias marcas a terem recomeçado o fornecimento de peças. Penso que o Prius poderá passar pelo mesmo num futuro próximo.
 
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