Diário de bordo do Fronius Primo 8

Luis Neves

Moderator
Começo por referir, para os mais distraídos, que os sistemas fotovoltaicos para autoconsumo têm vindo a evoluir de uma fase em que deviam ser dimensionados por forma a minimizar venda à rede, para uma fase em que começam a ter perspetivas de retorno mesmo em situação de venda dominante à rede. Para isso contribuem 3 fatores: a) descida dos preços dos painéis; b) aumento significativo do preço da energia e como tal do valor da entrega à rede; c) apoio do fundo ambiental.

Ainda que com alguma incerteza sobre a evolução destes fatores, resolvi lançar-me para um projeto já de alguma escala, tirando partido de um telhado orientado a SSE, com uma boa inclinação e bastante espaço livre. No passado sábado ficou concluída assim a instalação de 21 painéis de 370 W, ligados a um inversor Fronius Primo de 8 kW, a que se junta o painel instalado há 3 anos de 250W com o seu pequeno microinversor.

Estou agora na fase de registo do sistema, candidatura ao fundo ambiental, contrato de venda à rede, etc, o que imagino vá levar algum tempo. O sistema está desligado, pois conforme me avisou o Prates, se injetar energia na rede o meu contador, unidirecional, vai considerar a energia colocada na rede como consumida da rede, o que não tem piada nenhuma. Isso não impediu um teste hoje, que detalho no post seguinte. Para este fica uma imagem do sistema:

20211127_161529.jpg
 

Luis Neves

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Bom, devido a uma deslocação hoje carreguei o Big Foot durante a noite a 90%, com intenção de completar hoje durante o dia e sair a 100%.

Perto das 12h, estava um dia pleno de sol, ia para iniciar o carregamento restante, quando me ocorreu: e se ligasse o sistema para fazer um teste e ajustasse a carga do carro para absorver a produção fotovoltaica? Dito e feito.

Primeiro iniciei remotamente o carregamento do Big Foot, estava programado a 12A, ca. 2,7 kW. Fui ver o monitor de energia que tenho em casa e marcava um consumo de 3,1 kW, para além do carro mais alguns aparelhos em stand by, computador ligado, etc.

De seguida fui ligar o sistema. Após inicialização, que leva 1 a 2 minutos, a produção escalou para 5,4 kW, estáveis:

20211130_120850.jpg


Voltei ao medidor de consumo ligado ao quadro e marcava 2,2 kW. Interpretação: estou a produzir 5,3 kW, a casa e o carro estão a gastar 3,1 kW, logo estão a passar 2,2 kW para a rede...o medidor mede a corrente mas não sabe se é para fora se é para dentro... :)

Solução? Simples. Ida até ao Big Foot, o qual coloquei a carregar a 24A, passando assim a puxar 5,4 kW. Assim toda a energia produzida ficou em casa, com um consumo de algumas centenas de W para os dispositivos ativos.

Bastou hora e meia para completar o carregamento, tendo desligado o sistema aos 98% pois Big Foot começou a reduzir a potência de carregamento e a energia já não tinha para onde ir que não para a rede.

Teste bem sucedido e venham muitos mais dias de sol!
 

Luis Neves

Moderator
Já repeti a gracinha mais um par de vezes, em dias de sol mesmo em dezembro a potência ronda os 5,3 kW como acima ilustrado. Quando se junta o sol com a necessidade de carregar o carro, é o paraíso...:D

Uma evolução já efetuada foi ter conseguido colocar o inversor a comunicar com o portal do fabricante através da rede wi-fi da casa, pelo que neste momento consigo saber a potência que o sistema está a debitar quer através de pc quer através de app no telemóvel. Uma pena o sistema ter de estar desligado...mas ainda não cheguei à troca do contador, pelo que a energia produzida que não seja consumida na própria casa, é contada como consumo...livra, estar a dar energia de borla para a rede e ainda pagar por ela como se fosse consumo....

Bom, algumas notícias sobre a saga burocrática para a qual já estava devidamente dotado da paciência necessária. O sistema ficou instalado e reuni a documentação toda necessária para submeter o pedido de apoio ao fundo ambiental no limite do prazo, que era 30 de novembro, e cheguei a preencher a totalidade do formulário à exceção de um campo que estragou tudo: era pedido o número de registo do sistema na DGEG, e não foi possível obter esse registo de imediato porque para o fazer era necessário ter já o número do cartão de comunicações a instalar no sistema. Algo que não tinha tratado e demorou uns dias para o conseguir com um tarifário adequado.

Sem stress, pois tinha sido anunciada uma extensão dos apoios do fundo ambiental até março de 2022, com reforço de verbas. Mas imaginei logo que iria ter problemas com o formulário, o que se confirmou. Uma vez recebido o cartão lá foi feito o registo, e quando cheguei ao formulário estava bloqueado, para serem feitas alterações para esta segunda fase. Reabriu ontem e foi giro: instruções confusas, mas lá percebi que teria de anular o registo anterior, que não estava completo, e criar um novo (porque não o fizeram logo eles?); descobrir o acesso à área pessoal onde estão os registos é um horror, chega-se lá através de um link para iniciar um novo registo; mas, em 2 computadores e com vários browsers, esse link dava uma página em branco.

A dada altura consegui com o Edge em modo de compatibilidade com o Internet Explorer que aparecesse a área de edição dos registos, lá criei um novo e preenchi, mas em 2 campos não conseguia anexar os ficheiros (não acontecia nada ao fazê-lo). Tentei n coisas, até fazer zips em vez de pdf ou jpg, e nada. Já depois de ter desistido ocorreu-me de repente: e se tentasse com o telemóvel? Não é que funcionou...inacreditável. Lá consegui anexar os ficheiros que faltavam, gravei, abri de novo no computador, parecia tudo ok e submeti. Ufa, que saga. Se isto estava a funcionar bem antes, porque razão agora está neste estado? Enfim. Pronto, pedido submetido, recebido email de confirmação, vamos ver como corre.

Numa outra frente, tendo passado já uns bons dias desde o registo na DGEG sem ter notícias da e-Redes, resolvi ligar. Pensava que teriam de vir verificar o contador, mas fiquei a saber duas coisas: sabiam perfeitamente o contador que tinha e que teria de ser substituído, pois não é bi-direcional; já me tinham enviado uma carta na altura do registo na DGEG, só que foi para o endereço de uma casa secundária...dei o meu email e disseram que tinham reencaminhado para o mesmo, mas até agora nada (sim, verifiquei no spam). Se calhar digitaram mal o endereço. Enfim, amanhã tenho oportunidade de ir recolher a carta, se não estiver lá terei de ligar de novo na segunda. Ao que disseram, devo ter um método de pagamento da troca do contador na carta (90 e tal euros), logo que esteja pago posso ligar a agendar a troca, e uma vez feita a troca e os testes de comunicação com o sistema receberei um documento que formaliza o código do ponto de produção (que já me deram telefonicamente). Faltará depois abrir atividade nas Finanças e com a papelada toda formalizar contrato com a SU. Ainda vai dar para uns tempos...irei dando notícias.

E haja paciência.
 

João Prates

Archie Bunker
E haja paciência.
É triste em pleno século XXI, com a informática já tão avançada e com tão bons profissionais na rua, que estes sites dependam de gente incompetente.
Tal como na DGEG há coisas que não se percebem e que denunciam logo à partida não ter existido sequer a mais básica bateria de testes sobre as apps.

Como anda a função pública em Portugal... é assim... pagam em amendoins, têm macacos a trabalhar para eles.
Ao menos podiam contratar empresas externas e exigir qualidade, mas infelizmente nem isso.

Não me canso de repetir que as aplicações que temos hoje nos 1001 portais da função pública salvo raras excepções são todos lastimáveis e inadmissíveis a todos os níveis.
E o contribuinte/utilizador que sofra, o que importa é dizer nos jornais e TVs que já têm portais para tudo!
 

Luis Neves

Moderator
Após efetuar o pagamento do novo contador, liguei à e-Redes como me tinham indicado para agendar a troca, e foi quase imediato. Já tenho contador bidirecional. Fiquei na dúvida se estaria já a funcionar, hoje o Prates passou pelo mesmo processo e confirmou que sim, por isso no dia 24 pelas 12:20h oficialmente ativei o sistema para não desligar mais. Registava 22 kWh produzidos dos testes anteriores em que carreguei a viatura, e hoje apesar do mau tempo e de ter sido ligado já tarde, ainda produziu 5,6 kWh.

Isto vai indo....já tenho uma nova conta bancária exclusiva em nome do titular do sistema, falta a abertura de atividade e não sei se preciso de uma carta da e-Redes (a confirmar), um dia destes deverá para ativar contrato. Até lá vou tentando consumir a produção e o que for para a rede não é remunerado, paciência, também não me adiante nada ter o sistema parado.
 

Luis Neves

Moderator
Afinal, afinal....não há sinais no contador de que esteja a contabilizar injeção de energia, nem no portal da e-Redes aparece qualquer informação de produção.

Mais vale não arriscar que pode dar mau resultado, sistema desligado de novo....:(
 

João Prates

Archie Bunker
Pois é, de cada vez que ligamos para a e-Redes temos resposta distinta à mesma questão, e nada como confirmar no contador que os acumuladores de exportação estão activos e a mostrar valores.

É uma saga o processo de ligar uma UPAC/MCP à rede a vender energia... uma saga...
 

Luis Neves

Moderator
Contacto feito com a e-redes, disseram que devido a updates de software que as leituras não estão a atualizar mas que não me preocupasse que tendo o contador instalado a produção não era contabilizada como consumo.

Ainda fiquei com dúvidas mas tirando partido de algum sol tratei de fazer um teste que confirmou as informações. Tomei nota dos valores de consumo total, em cheia, ponta e vazio, assegurei-me que o consumo da casa era residual (cerca de 300W) e liguei o sistema. Devido a algumas nuvens a produção foi algo instável, mas diria que ao fim de 1h pelo menos 2,5 a 3,0 kWh foram para a rede, com períodos longos de valores a 5 e 6 kW, alternando com valores mais baixo quando o sol escondia.

Pois ao fim de 1h os totalizadores de consumo estavam exatamente com os mesmos valores inciais, o que significa que a energia injetada na rede não foi contada como consumo. Ufa!

O que não consigo é ver no contador os totalizadores de energia injetada, mas isso é outro campeonato. Para já importa que posso ter o sistema instalado enquanto a saga burocrática prossegue.

p.s. - vi por momentos o valor de potência instantânea mais alto até agora: 6,38 kW.
 

Luis Neves

Moderator
Já o disse antes e agora acrescento: isso está a precisar de um CCVEI e um sistema que monitorize os consumos e a produção 😝
A seu tempo...agora precisava era que a e-redes desse indicações claras e despachasse os papéis que tem de me mandar.

Pelo menos estou seguro que neste momento a energia injetada na rede não é contada como consumo, se está a ser medida ou não também pouco acaba por me interessar uma vez que ainda não tenho contrato.

Hoje desde as 12h às 17h o sistema produziu 12 kWh, tive máquinas de lavar ligadas, e o contador da casa marcava o mesmo total de kWh consumidos às 17h que às 12h, ou seja, a produção alimentou o consumo da casa e o excedente foi para a rede. É porreiro gastar energia e o consumo da rede ser zero. :cool:
 

Luis Neves

Moderator
Podes pesquisar informação na net sobre o modelo de contador, no meu caso consegui perceber como aceder aos menus.
Já tentei mas não consegui apanhar nenhum manual. Em todo o caso, o que me baralhou, é que vi na net que os códigos de injeção são do tipo 2.8.0, 2.8.1, etc (os de consumo são 1.8.0, 1.8.1,...) e no contador não consigo que apareçam esses códigos, nem outros que indiciem ser contagens de injeção. É estranho. Não sei se ainda falta ser programada alguma coisa.
 

Telmo Salgado

Moderator
Tenta carregar mais de 3 segundos consecutivos no botão, o meu entra no menu escondido...
 
Boas,

Instalei um sistema foto-voltaico em Setembro (Sim, eu seu, falta o DB :) ) e só há poucos dias comecei a ver a leituras no site da e-redes, ou seja demorou praticamente 3 meses.
Como no contador não conseguia ver a leituras fui pesquisando na net e descobri que no site das e-redes, na barra de endereços se mudarmos o final do endereço da página de 'readings' para 'consumptions' conseguimos ver os diagramas de carga com o importado e exportado. O que significa que está a ser contabilizada de formas diferentes.
Agora que já consigo ver as leituras tb apareceu o separador 'consumos' que mostra os diagramas de carga.

Os contactos telefónicos com a e-redes nunca foram esclarecedores, mas disseram-me que com o contador novo podia ficar descansado que o contador fazia a distinção do IN/OUT, tb me disseram que não dava para ver os totais no contador. O meu é um Kaifa MA109P com ligação GPRS.

P.S. tenho de ir preparar o DB do meu sistema ;)
 

Luis Neves

Moderator
Os contactos telefónicos com a e-redes nunca foram esclarecedores, mas disseram-me que com o contador novo podia ficar descansado que o contador fazia a distinção do IN/OUT, tb me disseram que não dava para ver os totais no contador. O meu é um Kaifa MA109P com ligação GPRS.

P.S. tenho de ir preparar o DB do meu sistema ;)

Aqui mora o mesmo modelo de contador! Confere então com a informação que te deram, pelo menos não consegui até agora descortinar nada no contador.

Quanto ao site da e-redes, até ao momento não tenho lá informação nenhuma, nem de consumo, nem de produção.

Já agora se puderes dar uma informação, agradeço. O contador tem um LED do lado direito intitulado PLC, de que cor está o teu?
 
O meu está vermelho fixo. pelo menos sempre que vejo.
Em casa dos meus pais que têm um igual está verde, mas a diferença deve ser que na zona deles já está o PLC activo e o meu está ligado por GPRS.
O Prates deve ter razão, apenas quando comunica é que deve mudar.
 

José Rosado

Well-known member
O meu tanto está vermelho, como às vezes lá está verde. O que é verdade é que tenho vários meses sem comunicação de leituras (curiosamente coincide com a mudança para o comercializador GALP) e no final do mês passado ressuscitou para comunicar leituras até ao dia 17 deste mês..

Desde aí que nada :mad:
 
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