Diário de bordo do Big Foot

Luis Neves

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E não é que tem mesmo a "pata" grande? De longe a maior que até hoje passou aqui por casa.

Resumidamente, desde as primeiras centenas de metros rolados em modo elétrico num 2G pelos idos de 2008 que o caminho era muito óbvio e tinha como ponto de chegada um EV puro. Lembro-me do protótipo do Prius plg-in 3G que representou um passo em frente, como os seus 20 km de autonomia e possibilidade de rolar até aos 80 km/h em EV - mais um degrau da escada. Não deu para resistir e lá tive de arranjar o de produção ao fim de algum tempo de mercado. Entretanto começaram a aparecer os EV mas com limitações que não me permitiam aventurar - afinal, várias vezes por ano há viagens de 460 km para vencer. Um novo passo dentro do possível: o Prius 4G PHV, com duplicação da autonomia e aumento da capacidade EV, quer na aceleração quer na velocidade máxima, agora até aos 130 km/h. Excelente carro, mas sempre o bichinho EV a pedir mais....

Com os meus requisitos de viagens longas, é muito difícil de fugir da Tesla, graças à rede de supercarregadores e à velocidade de carregamento das viaturas. Embora goste muito do Ioniq, infelizmente a bateria é curta para estas aventuras: o Kauai não é um rolador (testei e não gostei do ruído de rolamento em autoestrada) e com a nossa rede de carregamento é para esquecer. O e-Niro será melhor em espaço e conforto, mas permance o problema do carregamento. E o resto não Tesla é paisagem (Toyota, onde andas?).

Comecei a ficar atento à Tesla, recolhi dados, construí modelos, e testei. O model S graças ao Manuel Jasmim (abraço!), que me tirou o medo do model S - é grande, mas manobrável, os sistemas de apoio são ótimos, conduz-se como se fosse bastante mais pequeno (ver ensaio nesta seção do forum). O model 3 via Tesla, com test-drives razoavelmente elucidativos. A favor do model 3 a manobrabilidade em cidade e a tecnologia de carregamento mais recente. Mas o SR+ ficou fora do baralho, alcance desmasiado justo para o objetivo (300 km), em especial se pensarmos em 5-10% de perda futura de autonomia por degradação da bateria. Em jogo ficou o model S, com a versatilidade das 5 portas, uma mala gigante e o notório melhor conforto de rolamento (ruído, suspensão), apenas com o defeito do tamanho excessivo, com a alternativa do model 3 AWD com espaço suficiente, mala boa mas desprovida de versatilidade para transporte de objetos grandes. Nunca tive um 4p até hoje...

E eis que surge a oportunidade de um model S pós-restyling, uns meses mais novo que o Prius, e com metade dos km. Esclarecidas algumas questões, foi-me facultado um test drive alargado sem compromisso. Foi possível esclarecer todas as dúvidas, testar calmamente. Grato ao João Gonçalves pela oportunidade. Faz toda a diferença. E no fim, plenemente conhecedor dos prós e contras, ultrapassei as últimas resistências mentais, decidi arriscar e ir em frente, trocando a segurança e tranquilidade do Prius pela incerteza de uma marca com as vantagens e inconvenientes que sabemos. Último degrau da escada vencido, foi uma caminhada muito interessante ao longo de 12 anos com a Toyota, e finalmente o repouso tecnológico no mundo elétrico. Vamos ver se corre bem.
 
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Luis Neves

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Bom, sem imagens não vale, por isso aqui vai uma foto do "Pé Grande" a ocupar o espaço todo da garagem.

 

Luis Neves

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Já agora uma pergunta, como vai ser o carregamento em casa ?

Tenho um posto de 32A na garagem...já sabia que mais dia menos dia ia dar jeito! :)

Está fixo ao pilar central, na primeira foto vê-se o cabo de carregamento junto à roda traseira direita.

Já percebi que os Teslas são sensíveis às variações de voltagem da rede e não gostam de quadros sobrecarregados. Ao observar o carregamento verifiquei que por vezes baixava dos 7 kW, para os 5-6, e tive um par de "stop chargings" que são chatos, pois o carregamento não reinicia. Mudei de estratégia, passei a determinar potências de carga na casa dos 16 a 24A, e assim carrega certinho à mesma velocidade e não voltei a ter paragens.
 

Luis Neves

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Ora então prosseguindo ainda com um pouco de racional. Desde há algum andava com atenção a possíveis oportunidades de model 3 AWD e de model S 75. Porquê o S 75 e não o mais comum S 85? Em primeiro lugar pela questão cronológica, o S75 é essencialmente de 2017/2018, pós-facelift, e o S85 até 2016. A comprar pretendia uma unidade com 2 a 3 anos no máximo e poucos km, pelo o S75 se impunha - o S90 já é bastante mais caro. Uma segunda vantagem do S 75 face ao S 85, pelo menos por enquanto, é que não foi afetado por um downgrade na velocidade de carregamento que a Tesla implementou no verão de 2019. Esperemos que não aconteça.

Já há par de meses que tinha dado conta de um S 75 disponível no Norte, numa empresa já minha conhecida. Esclarecidos os detalhes, pareceu-me encaixar bem no que pretendia, mas a pandemia com o confinamento atrasou 2 meses a possibilidade de um contacto. No fim de semana passado finalmente propiciou-se um teste alargado com opção de compra, e lá fui bucar a viatura a Viana do Castelo.

O objetivo do contacto era o de avaliar a capacidade útil da bateria, a eficiência e a velocidade de carregamento nos SUC da Tesla. Como comparação dispunha dos dados de teste anterior ao S 85, relatados neste fórum.
 

Luis Neves

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É de notar que o model S apenas carrega nativamente em CCS a partir de 2019, pelo que o Big Foot terá de ir visitar a oficina para efetuar o chamado retrofit para ficar compatível com CCS - uma operação que custa 500€ com adaptador incluído. Como isto condicionava a viagem, foi-me facultado com carga plena para a viagem até Coimbra - 200 km. O plano original era o de carregar no SUC da Mealhada para testar a velocidade de carregamento, mas tive uma surpresa....cheguei lá com um SOC ainda na casa dos 40%. De modo que decidi prosseguir até Fátima, fazendo mais alguns km, onde cheguei com 17%. A viagem foi feita na casa dos 120 km/h, exceto umas voltas em Viana e a travessia do Porto.

Foram 265 km com média de 19,0 kWh aos 100 km. Boa surpresa, pois contava com valores mais altos, na casa dos 21 kWh. Quem diria que um Big Foot conseguia ser tão eficiente como um i3 e melhor que um Leaf?

O carregamento em Fátima correu bem depois de um pequeno problema - o primeiro stall a que me liguei abortava o carregamento alguns segundos após o início. Mudei para o do lado e aí funcionou tudo bem.

Demorou 20 minutos a subir dos 17 para os 60%, andando na casa dos 120 kW até um pouco acima dos 30%, 103 kW aos 40%, 70 kW aos 50%, 56 kW aos 60%, 50 kW aos 70% (28 minutos), 40 kW aos 80% (37 minutos) e 26 kW aos 90% (50 minutos).

A potência média de carregamento estimado entre os 10 e os 80% é de 76 kW para o S85 e de 86 kW para o S75. Cumpre....!

Acabei por estimar que a bateria disponibilize nestas condições 65,5 kWh úteis, tendo em conta os km percorridos e o consumo com uma carga completa. Com consumos de 19 kWh/100, dará uma autonomia total de 345 km.
 

Luis Neves

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A meio da semana, e já resolvidas várias questões de configurações, fiz um teste Coimbra-Santarém-Coimbra, novamente em ritmo de 120 km/h, exceto ligações à autoestrada. Chegado a casa, restavam 25% de SOC após 260 km feitos com média de 19 kWh/100. De novo um excelente resultado, até porque incluiu a travessia da Serra de Aire em ambos os sentidos.

Com base neste resultado resulta uma capacidade útil de 65,8 kWh, valor muito semelhante ao estimado na primeira deslocação até Coimbra.

 

Luis Neves

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E hoje terminaram as aventuras iniciais, após a decisão de compra (como se poderia separar o Pé Leve de uma máquina destas capaz de consumos tão modestos?) foi preciso ir tratar de papeladas. Foi Coimbra-Viana-Coimbra, 400 km redondos.

Estando a distância para além do alcance da viatura, e sendo 370 km até regressar à Mealhada, ficou marcado ponto de encontro para tratar dos papéis junto ao PCR de Viana, com disponibilização de um adaptador Chademo. Contudo, não fosse o diabo arranjar alguma, resolvi ir um pouco mais cedo e nas calmas, para, num cenário de necessidade, poder tentar regressar até à Mealhada.

O ritmo de AE andou pelos 105-110 km/h, o que permitiu chegar quase 200 km depois com o SOC a 49%....e uma média de 16,9 kWh/100 km.

 

Luis Neves

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A logística funcionou em pleno, tendo o carro carregado dos 49 aos 82% no período enquanto se tratou da burocracia. Aprendi uma coisa - o S75 tem tecnologia de 350v, ao contrário do S85 que é de 400v, o que se manifesta num inconveniente em PCR: a potência máxima atingida é de 40 kW, enquanto o S 85 pode ir até aos 46-48 kW. Menos positivo, mas não crítico.

Regresso a Coimbra mais rápido, de novo pelos 115-120 km/h com o supreendente consumo de 18 kWh/100 km. Possivelmente vento de traseira.... :)

Ainda resolvi ir conhecer o SUC da Mealhada (não que precisasse, apenas curiosidade). Carregou a partir dos 43%, com valores semelhantes aos do teste anterior em Fátima., até aos 90%. Chegada a casa com este resultado final (Trip A):

 
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Luis Neves

Moderator
Tenho andado sempre em modo "Chill", é engraçado como um carro tão potente fica tão dócil e suave neste modo. Perfeito para quem se fica na eficiência.

Destes km todos, mais de 1.000 numa semana, fica o conforto. Os bancos são fenomenais, a suspensão muito boa, o ruído de rolamento algo "cavo" pelo que não é incomodativo, um bom rádio a ajudar, e a vida que dá às viagens aquele display de 17" com o navegador com imagens de satélite!
 

Tiago Gomes

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Bom dia Luís. Tenha muitos e bons Km ao volante dessa maravilhosa máquina! Com toda a certeza irá desfrutar bastante. :)
 

João Prates

Archie Bunker
Ao observar o carregamento verifiquei que por vezes baixava dos 7 kW, para os 5-6, e tive um par de "stop chargings" que são chatos, pois o carregamento não reinicia.
Ofereço outra leitura das tuas observações: O teu carregador fixo de casa tem ALM (Automatic Load Management), que faz oscilar durante o carregamento a corrente disponível à viatura consoante a tua potência contratada e carga total existente na instalação (i.e. consumo do carro a carregar + consumo da casa). É o comportamento esperado, e não depende do Tesla.

Se em qualquer momento a potência limite que foi programada na instalação da wallbox (próximo mas abaixo da tua potência contratada) não chegar para satisfazer o somatório do consumo da casa e os 32A que o carro pretende, ela vai fazer baixar o consumo do processo de carregamento limitando a corrente tanto quanto necessário, para satisfazer a necessidade da casa - daí veres as oscilações de velocidade de carga.

No limite, se por uns momentos que seja, o consumo da casa não deixar sequer 6A disponíveis para o carregamento, o carregamento é interrompido até haver capacidade disponível.
Nesse caso, eventualmente (não sei mesmo), o Tesla uma vez terminado o carregamento não o retoma automaticamente, o que será de facto muito chato, é um caso a investigar.
 
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