DB Hyundai Ioniq Electric - Carlos Costa

Carlos Costa

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O regresso a casa foi ligeiramente mais rápido. Apontei para uma saída após o almoço, pelas 14h, mas a verdade é que a essa hora ainda andava a mostrar o circuito de Portimão ao meu filho mais velho, que é completamente fanático pela F1. E ainda não tinha almoçado, preparado as malas ou carregado o carro!! Isto diz muito da minha vontade em regressar a casa!! :cool:

Em baixo deixo o resumo do carregamento em Lagos, pouco tempo antes de iniciar a viagem. Curiosamente aconteceu, desta vez, o mesmo que tinha acontecido 1 ou 2 dias antes, num outro carregamento. O posto ficou offline e a app deixou de poder comunicar com o mesmo. Conclusão, o carregamento foi interrompido aos 94% (limite do Ioniq em PCR), desconectei o cabo do carro mas a app continuou a contagem de tempo, sem que fosse possível terminar o carregamento. Enviei queixa via aplicação, e nem dois minutos depois tinha um operador a ligar-me para resolver a questão. Basicamente eles terminam a contagem de tempo e volta ser possível utilizar a app, uma vez que não é possível iniciar um novo carregamento sem terminar o anterior. Dou 5 estrelas para o apoio da miio, zero estrelas para quem tem responsabilidade de manter os postos online!


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A curva de carregamento mantêm-se firme nos 45-50 kW, e por volta dos 82-83% de SOC começa a cair até aos 20-22 kW.


Bem, às 17h lá arrancámos, cientes da empreitada que ainda tínhamos pela frente!! Como não dispunha de outra forma de carregamento que não em PCR, fiz-me à Via do Infante com cerca de 90% de SOC, ao contrário dos 100% com que arranquei na vinda. Por esse motivo não quis arriscar até Aljustrel, e lá tive que experimentar a Ionity em Almodôvar. A vantagem para o meu Ioniq era residual, que não beneficia de tamanha potência, mas ainda assim foi aos 69 kW de pico.

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Os postos da Ionity têm uma grande vantagem, para além da potência de carga. Independentemente da localização da porta de carregamento do carro, o cabo chega sempre lá. O mesmo não se pode dizer da esmagadora maioria dos postos da rede Mobi.e, que obrigam a um estacionamento sempre cirúrgico. Em contrapartida, são caros como o car..... e também dão o berro. Pensei que os postos premium fossem mais fiáveis, mas enganei-me, é tudo igual! Nem 6 minutos depois do inicio do carregamento... pufff...coito interrompido! Retiro o cabo, volto a iniciar o processo, e daí até final foi sempre a abrir! Foram 11,64 eur por +/- 15 kW de energia. Que bom, adorei!!! :mad: Completo exagero de preço, um autêntico roubo, não há outra forma de o dizer.

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Seguiu-se a área de serviço de Grândola, que oferece um PCUR de 160 kW. À chegada estava lá um Model 3, pois certamente todos os Super Chargers da zona estariam ocupados. Estacionei, fui vazar umas águas residuais e quando voltei o Model 3 estava a desconectar-se. Mudei-me para o lugar do lado (o tal estacionamento cirúrgico) e lá iniciei a sessão. Logo de seguida chega um e-Tron... Isto de ter apenas um posto em cada área de serviço é, claramente, uma valente bosta! Nem tudo é mau, porque o posto é coberto e tem um monitor que indica tempo decorrido, SOC e potência de carregamento.


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Em Grândola levei a bateria até aos 90% de SOC. Queria evitar o desvio por Lisboa e decidi arriscar a viagem direta até Santarém pela A13. De uma área de serviço até à outra são cerca de 170 km, já a roçar o limite da autonomia do Ioniq a uma velocidade a rondar os 110 km/h. Algures durante o trajeto devo ter tido um problema qualquer com o acelerador, porque a velocidade começou a aumentar significativamente... :D Esta distração obrigou-me a cancelar o plano inicial e a desviar para o Lidl de Santarém, que é praticamente colado à A1, uns 20 km antes da área de serviço. Aproveitamos para comer qualquer coisa e para esticar as pernas, ao mesmo tempo que o Ioniq enchia a pança, pela 4 vez consecutiva (2 PCR e 2 PCUR), sem qualquer sinal de fraqueza!

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De Santarém até casa o ritmo aumentou ligeiramente. Desliguei o CC e fui ajustando a velocidade em função do que a estrada pedia. Lembro-me de subir o troço da Serra D'Aire e Candeeiros a 100-110 km/h, mas depois disso dificilmente desceu dos 120 km/h. Até Pombal foi um instante.

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À chegada estavam 12 postos de abastecimento de gasolina e gasóleo + 1 de GPL completamente às moscas. O único gajo a abastecer era eu, no único posto de carregamento rápido da área de serviço (uma autêntica obra de arte, diga-se...). Carreguei, tomei um café, fui ao wc, e os postos continuaram às moscas. Caricato...

A última sessão de carregamento, em Estarreja (Antuã), deu chatice. Iniciei a sessão através da aplicação e, ao cabo de 24 segundos, o carregamento parou. Tentei reiniciar mas o posto já não mais apareceu na app. Como já estava a ficar cansado, já era quase meia noite, agarrei no cartão e iniciei o carregamento. Por azar agarrei no cartão da EDP, por engano, de modo que não há dados desta última sessão. Confesso que só queria despachar-me e chegar a casa.

Entrei na minha garagem pouco antes da 1h da manhã. Portanto, cerca de 8 horas para o regresso, contra as 8h30 na ida. SOC à chegada a rondar os 15% e uma média de consumo de 15,3 kWh/100km.

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Algumas considerações finais...

É, claramente, um desafio fazer viagens tão longas com um BEV com uma bateria de capacidade tão reduzida. Mas também não deixa de ser verdade que este Ioniq é o único BEV com bateria de capacidade inferior a 30/40 kWh a fazer uma viagem destas com esta facilidade. É de uma eficiência absurda e nunca cede nos carregamentos. Brilhante!!

A nossa rede de carregamento ainda é muito fraca. No mínimo deveríamos ter, já, pelo menos 4 a 6 PCR's em todas as áreas de serviço das AE deste país. Não é aceitável ter que ficar à espera meia hora, 1 hora ou até mais tempo para abastecer. Já não é só a ansiedade relacionada com a autonomia a moer o juízo dos utilizadores, mas também a ansiedade provocada pela simples ultrapassagem de um carro, quando esse carro também é um BEV, pela grande probabilidade de esse mesmo BEV chegar ao PCR primeiro que nós. É ridículo!! Isto só é possível porque os tipos que têm responsabilidade na gestão e expansão da rede devem fazer as autoestradas deste país em carros a diesel, só pode!!

Outra situação altamente desagradável é não saber quanto é que um abastecimento vai custar ou custou. Deveria ser obrigatório que todos os postos informassem o utilizador do custo do carregamento, independentemente de app's ou afins. Um gajo vai abastecer de gasolina e sabe quanto custou. Se for a um PCR com um cartão da Galp ou da EDP só sabe quanto custou quanto receber a fatura em casa, um mês depois ou coisa que o valha! Ninguém se entende com tantas taxas, taxinhas e o raio!! É verdade que temos ferramentas que nos ajudam a ter uma ideia do custo, como a app miio, mas obriga a ter que andar constantemente a simular cenários de carregamento para saber qual o CEME mais barato!! É tudo menos uma experiência simples!

Outra situação que aborrece sobremaneira é a falta de sensibilidade para com o conforto do utilizador, que vai carregar o seu carro ao preço do ouro. Já começam a aparecer alguns postos cobertos, mas a maioria ainda são a céu aberto. Não há uns míseros euros para colocar uma porcaria de uma cobertura que proteja não só os utilizadores como o próprio equipamento? Incompreensível...

E pronto, foi o relato da minha viagem. No total percorri 2 mil km e foi uma experiência agradável. No entanto, de futuro, apenas admito repetir esta viagem a bordo de um BEV com uma bateria com, pelo menos, o dobro da capacidade. O carro é altamente capaz, mas a nossa rede de carregamento nas AE é, atualmente, muito pobre! Em termos de custo, somados os 16 carregamentos em PCR, deverá rondar os 120 eur (ainda não recebi a fatura da Galp...).
 

Carlos Costa

Moderator
Só me assustou o custo dos carregamentos.
Até 0,4 eur/kWh acho razoável. Repara que em Santarém cobraram-me esse valor num posto de 160 kW. Isso já é uma potência mais do que suficiente para qualquer EV do mercado, e coloca-os numa situação equilibrada face aos melhores ICE (em termos de custo por km). Mais do que isso é um assalto ao bolso dos consumidores, do meu ponto de vista.
 

Carlos Costa

Moderator
Ou seja, cerca de 6€/100km. Mesmo assim valor abaixo do que irias ter num carro com mci.
Exatamente. Tinha perfeita consciência dos custos, acho que é um valor aceitável. O ano anterior fiz a mesma viagem com o i30N, e o custo foi praticamente o dobro ( com gasolina a preços inferiores aos atuais). Imagina, agora, quanto ficaria se carregasse sempre na Ionity...
 
Imagina, agora, quanto ficaria se carregasse sempre na Ionity...
O mesmo seria se abastecesses de gasolina nas autoestradas... o conforto/localização paga-se
Mas reconheço que é um abuso :)
 

Bruno R. Almeida

Wellness Coach
@Carlos Costa Fantastica descrição de uma viagem bastante longa.

Mantenha a Hyundai as caracteristicas tecnicas nos proximos BEV e serão claramente um fabricante de refencia, tal como acontece, hoje.
 

João Prates

Archie Bunker
O mesmo seria se abastecesses de gasolina nas autoestradas...
Tão verdade! Mas o abuso de uns não devia justificar o abuso de outros, digo eu.
Sempre que faço AE e olho para os preços praticados fico de cara à banda... ainda agora consultando o maisgasolina vejo a gasolina com que costumo abastecer o meu Dare Devil aqui na Moita (Prio TOP 95) a 1,585 mas se consultar a GALP de Aveiras a 95+ está a 1,884 é impressionante, são mais 19%!
 

Carlos Costa

Moderator
Há dias recebi o aviso de pagamento do seguro do Ioniq, que vence a 26 de dezembro. Como tem sido hábito, carregaram cerca de 50 eur no preço face ao ano passado, razão pela qual mudei de seguradora, poupando 25 eur face ao ano passado, com melhores condições (1% de franquia, face aos anteriores 2%). Com pagamento por débito direto o seguro de danos próprios, com todas as coberturas, exceto carro de substituição (não preciso), ficou por 318 eur, na Logo.

De resto não há muito a dizer. Já a caminho dos 87 mil km, é carregar e andar!
 
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