Camiões a GN provam emitir mais NOx e PM que os equivalentes a gasóleo

Telmo Salgado

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Cliente Ecowatt
De acordo com o estudo da T&E, temos um beco sem saída quando se incentiva o consumo de GN em vez do diesel. Vejamos.

https://www.transportenvironment.org/press/road-tests-show-gas-trucks-5-times-worse-air-pollution



O QUÊ? Mas alguém antecipava isto?

(n)


Mas o pior é a mesma análise quando se comparam as emissões de partículas:



Então, mas os construtores andam a dormir? Instalam caros sistemas de injeção direta e depois ignoram que as PM também são para limpar (mesmo que de menor dimensão)?

Estou estupefacto.

(Prates por favor junta GN ao título do fórum)
 

Joaquim Silva

New member
Não se vai lá (redução de emissões poluentes, gestão racional de recursos, respeito pelo outro,...) com más práticas: consumir, consumir mais, desperdiçar, desperdiçar mais, gastar sem ser preciso, gastar mais sem ser preciso,... que é o que "todos" fazemos.
Isto de deixar de se utilizar gasóleo para se passar a gastar gás, ou deixar de se gastar gasolina para se passar a gastar eletricidade vai dar tudo ao mesmo, ou ainda pior.
Basta ver estas palermices de o aeroporto de Lisboa estar a precisar de ser alargado ou substituído por outro novo ou expandido para o Montijo. O problema está em que existem demasiados aviões, demasiadas companhias aéreas e andar de avião ficar mais barato e mais rápido do que andar a pé!

Isto nos camiões é análogo, existe em demasia recurso à sua utilização, adquirir camiões é muito fácil e barato (trator novo anda à volta de 60 a 70mil Eur, usado
com 600Mkm talvez se encontre por menos de 35mil Eur) e com esta moda de just-in-time e faz aqui, monta ali, leva etiqueta acolá e vai ser entregue acoli, pior.
É interessante verificar que nos últimos 15 anos, o parque de camiões e empresas associadas deve ter, triplicado?

É esta a sociedade que criamos, não é só o Planeta que exploramos (e do qual vivemos a crédito a partir de não sei de que dia) é toda a nossa forma de estar e encarar a vida: usar carros a 30 meses, leasings para tudo, créditos para tudo, trocar de tretas sempre e a todo o tempo, e depois é a empresa X que polui e mente, isto ou aquilo que afinal o estudo revela que não é assim. Enfim!
 
Na minha opinião, os motores a gás natural (liquefeito ou não/comprimido que é igual do ponto de vista das emissões), que trabalham com ciclo Otto (O Scania e o Iveco como exemplo no estudo acima) mesmo com catalizadores de 3 vias e afins não conseguem alterar o facto de que existe fuga não controlada pela não combustão total do metano (componente principal do gás natural que é mais prejudicial para a atmosfera que o CO2), efeito conhecido como "Methane Slip". E depois fala-se muito do biogás (extraído da decomposição dos RSU em aterro) que é uma ideia excelente, só que, onde está ele? Apenas uma pequena unidade "semi-teste" em Mirandela e pouco mais que origina maior desgaste mecânico do motor (analises ao óleo do motor revelou maior presença de metais como cobre)... A grande maioria é de origem fóssil.

Não só isto como também se criou a ideia de que a unica emissão importante é o CO2, parece que mais ninguém fala de outra coisa... Quando todas as normativas EURO têm vindo a limitar todos os outros componentes dos gases de escape (NOX, PM, etc...), porque a emissão de CO2 é diretamente proporcional à quantidade de combustível queimado (cerca de 2,67kg de CO2 por cada litro de gasóleo).

Já o tinha dito no Prius-PT num tema semelhante, e para a solução de transporte urbano (em autocarros urbanos, que é o maior parque pesado circulante em Portugal movido a gás - STCP/CARRIS) seria significativamente superior uma solução de autocarro hibrido a gasóleo que a gás natural...


Num aparte, e na minha opinião apenas, irá ter um maior impacto a nova legislação que está a impor redução de 35% de emissões de CO2 (e consequentemente redução de 35% no consumo de combustível) que esta transição para gás natural. Este impacto está a ser medido em praticamente todos os camiões novos na Europa em que contam com a especificação (tipo de pneus/eficiência do motor, caixa, eixos de transmissão, aerodinâmica/tipo de camião) através de simulação fechada e os resultados são comunicados à UE não havendo forma de fugir, e isto tem implicado um esforço incrível junto dos fabricantes que não se via antes.
 

Telmo Salgado

Moderator
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Cliente Ecowatt
Eu fui ver um pouco das especificações e esses Otto andam pelo pico de 40% de eficiência. Alguns dados remetem para turbinados (melhor eficiência em carga) e uma capacidade unitária da ordem dos 1,5 a 1,8 litros por cilindro.
Sabendo que o 2.5 Atkinson (com metade da capacidade unitária) da Toyota faz 41%, não entendo como ainda não se trabalhou no dimensionamento deste tipo de MCI...
 
Última edição:
E não só a eficiência é baixa como é atingida numa gama extremamente restrita de rotações.

Velas de ignição e veículos pesados... Não entendo...
 
Rondará os 41~46%, dependendo do tipo de tecnologia empregue.

Os motores a gasóleo dos pesados são muito desenvolvidos (turbos assimétricos, duplo estágio, turbo compound, etc...) e cada marca tem a sua forma de desenvolvimento.

Depois evitam-se duplicações, por exemplo:
-O ar do compressor é arrefecido dentro do aro do ventilador;
-A ECU é refrigerada pela passagem do gasóleo vindo do depósito;
....

Há muita coisa, e apesar de parecerem os camiões são quase todos diferentes...

Mas partilho um gráfico de um motor já descontinuado para melhor se perceber:

 
E note-se que houverem desenvolvimentos face ao estudo acima e talvez tenha havido confusão entre PN e PM... Durante o fim de semana tento partilhar convosco, há muito para mastigar ainda...
 

João Prates

Moderator
Staff
Pois, é mais ou menos o que tinha encontrado nas pesquisas que fiz, mas é sempre melhor ter a confirmação de quem sabe.
Assim sendo não percebo muito bem isto:

fui ver um pouco das especificações e esses Otto andam pelo pico de 40% de eficiência
Porque raio andam a fazer camions em Otto se a eficiência é bem pior?
Mesmo o Atkinson da Toyota anda pelos 42% tops, e já é à custa de EGRs e muitos truques a esmifrar todos os gramas de gasolina...

Estou com o @Telmo Salgado , não percebo.

EDIT: E qual é a eficiência destes motores a trabalhar a GN?
 
Já o tinha dito no Prius-PT num tema semelhante, e para a solução de transporte urbano (em autocarros urbanos, que é o maior parque pesado circulante em Portugal movido a gás - STCP/CARRIS) seria significativamente superior uma solução de autocarro hibrido a gasóleo que a gás natural...
William, estou contigo a 100%.

Porque nunca vingou no transportes pesados a questão hibrida, creio que seria desde que conheço a tecnologia os maiores beneficiados.

Recentemente até ouvi que a Ford já tem nas suas carrinhas disponível motorizações hibridas. (Nota pessoal: tema a investigar).
 
@Prates, Camiões e autocarros urbanos (que são bem Otto são significativamente mais baratos que os HDPI acima de tudo... E mais fáceis de produzir... Perdem é muito no consumo e nas performances... Mesmo HPDI para distribuição não será o mais indicado, será mais indicado para regional e longo curso.

Outras vantagens são o gás natural ser subsidiado de certa forma o que torna a sua operação mais financeiramente interessante.
Nos autocarros podem por ‘movido a gás natural’, que é visto como muito mais ambiental. A pressão e o marketing também foi bem feito a alguns anos atrás para assim ser...

@Bruno, soluções híbridas existem e com diminuição a rondar os 30% reais de consumo em autocarros urbanos mantendo os níveis de serviço e fiabilidade, só que são algo caros e falta talvez algum interesse na sua venda.
 

João Prates

Moderator
Staff
Muito boa contribuição Rodrigo, obrigado! Temos sempre de ouvir os dois lados, muito bem!

Claro que os documentos em questão requerem algum tempo para leitura e análise, mas vou de minha parte tentar este fds, pode ser que outros consigam ainda hoje dar feedback.

Entretanto, sendo este o teu primeiro post logo "a matar" em qualidade, permite-me que te direccione para o fórum das apresentações para te dares a conhecer um pouco.

Bem haja pela contribuição de qualidade!
 
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