A eletrificação - troca do tradicional pelo híbrido - e o seu papel na redução de emissões

Luis Neves

Moderator
Os aspetos ambientais são muito importantes, mas não são tudo. A Europa produz pouco petróleo para o que consome, é altamente dependente de fornecimentos externos, situação de dependência muito pouco intereressante. A eletrificação do parque europeu é importante também para acabar com esta dependência energética, e essa aposta não tem de ir a par do resto do mundo.
 

Telmo Salgado

Moderator
Continuar a construir MCI ineficientes deveria incomodar mais, mas sinto-me a pregar aos peixes.
Faltam-me mais elementos para analisar custo/benefício, João mas essa gestão que dizes elementar não é nada simples.
Talvez seja aparentemente simples para vos convencer. A mim não, porque os MCI fazem parte dos planos destes grupos e emitirão em todo o planeta.
 

William Esteves

Not Shakespeare
Os aspetos ambientais são muito importantes, mas não são tudo. A Europa produz pouco petróleo para o que consome, é altamente dependente de fornecimentos externos, situação de dependência muito pouco intereressante. A eletrificação do parque europeu é importante também para acabar com esta dependência energética, e essa aposta não tem de ir a par do resto do mundo.

E a Europa é autossuficiente em lítio (para a produção de baterias) e de metais raros (para fabricar os motores elétricos) para conseguir a independência?

Que seja do meu conhecimento, Portugal é o país da UE com as maiores reservas de lítio ( Lithium reserves worldwide top countries 2020 | Statista ), que não são assim tão grandes quando se compara com os restantes países... Será que a UE tem reservas para ser autossuficiente? Em 2019, com muito menor produção de BEV's, cerca de 86% do lítio era importado ( Mapping lithium reserves in the European Union and self-sufficiency ), e desde então o país com a maior reserva (Portugal) não abriu tanto quanto sei nenhuma mina.

Quando vamos para o panorama dos metais raros, desconheço o estado das reservas Europeias, mas cerca de 90% dos produtos têm sido importados, essencialmente da China ( European Rare Earths Competency Network (ERECON) - Internal Market, Industry, Entrepreneurship and SMEs - European Commission ).

E se o lítio já pode ser facilmente reciclado, menos de 1% dos metais raros o são ( Recycling of the rare earth elements ). Atualmente, os metais raros são desfeitos e seguem para lixeiras ou para "entulho" no alcatrão...

A meu ver é essencial que nem a Europa (nem o mundo) comecem a apoiar toda a transição energética na boa vontade de exportação da China.... Basta o país decidir fechar ou dificultar a exportação dos "REE" e lá se foi a transição por água abaixo...

A meu ver, não há soluções perfeitas nem "one fits all"... Que é o que aparenta o conceito de repente querer que tudo seja BEV...

Por isso sim, concordo com o @Telmo Salgado quando diz que melhorar a eficiência dos MCI é importante...
Por isso sim, concordo com a Toyota com a vontade de querer continuar a aumentar a produção de HV's que levam quantidades significativamente menores dos materiais acima referidos...
Por isso sim, concordo com a UE em querer que BEV's e FCV's coexistam...

Para bem do meio ambiente, a economia circular, a apreciação do impacto global (produção, utilização, decomissionamento) e a redução no consumo (trocar regularmente de telemóvel, pc, etc....) têm mais importância que de repente obrigar BEV's a toda a gente...
 

Luis Neves

Moderator
A Europa adormeceu totalmente nestas questões e está muito satisfeita em que sejam outros a arcar com as explorações de matérias primas e com os respetivos impactes ambientais, ainda que sem os mesmos requisitos e exigências.

De qualquer modo, seria já um enorme progresso libertarmo-nos da importação de combustíveis fósseis. Para os metais raros poderá haver soluções tecnológicas de substituição, há que prosseguir investigação nesses domínios. Infelizmente a China foi comprando por todo o mundo sem ninguém se importar, e agora são donos de quase todos os recursos.

O lítio não vai demorar muito a ser substituído nas baterias por outros elementos mais abundantes...e em todo o caso os fornecedores atuais são mais tranquilos que os de petrróleo.
 

Carlos Costa

Moderator
têm mais importância que de repente obrigar BEV's a toda a gente...
Não é necessário obrigar. Basta dar condições para que as pessoas os utilizem confortavelmente e adeus MCI, pois perdem em toda a linha. Nos países onde essas condições são oferecidas é isso que acontece!

E a Europa é autossuficiente em lítio (para a produção de baterias) e de metais raros (para fabricar os motores elétricos) para conseguir a independência?
O que é que causará mais impacto, a importação destes metais ou a importação e queima dos produtos derivados do petróleo?
Atualmente, os metais raros são desfeitos e seguem para lixeiras ou para "entulho" no alcatrão...
Que o digam os donos dos Prius...:censored:

Tenho lido muita coisa e tudo aponta para que este planeta entre em rutura em poucas décadas, se as condições atuais se mantiverem. Defendo tudo o que possa ser feito para aliviar esse fardo, quanto mais rápido melhor. Continuar a canalizar recursos para manter as coisas como estão, ou melhorá-las de forma quase insignificante, não acho que seja o caminho. Os países / regiões / continentes com melhores condições para transitar para o transporte 100% elétrico deveriam fazê-lo e dar o exemplo, ASAP!! Andar aqui entretidos a brincar aos motores de combustão eficientes, em pleno séc. XXI, quando é sabido que os elétricos fazem o mesmo por uma fração da energia, é perder tempo e dar tiros nos pés.

Venham as normas Euro 7, as proibições dos voos de curta duração (30-45 min), as Fuel Cells para o transporte pesado, etc...
 

Telmo Salgado

Moderator
Andar aqui entretidos a brincar aos motores de combustão eficientes

Quero ver a declaração da vw a comprometer-se que não produzirá mais nenhum MCI e aí dou razão.


Acho é que ainda ninguém percebeu que em 2020 54 milhões de MCI novos foram colocados nas estradas deste planeta. E que se reduzirmos 10% ao seu consumo equivale aproximadamente à poupança do total de BEV vendidos até agora. Mas com verdadeiras zero emissões, porque os BEV também têm a sua quota parte. Brincadeira? Não me parece...
 
Última edição:

Carlos Costa

Moderator
Acho é que ainda ninguém percebeu que em 2020 54 milhões de MCI novos foram colocados nas estradas deste planeta.
Já percebemos sim. E como é que podemos alterar isto rapidamente? Colocando mais MCI na estrada? Investindo recursos infindáveis para tornar um motor 1 ou 2% mais eficiente, quando tens BEV para oferecer? A Toyota precisou de duas décadas para que o HSD se tornasse mainstream, e nem assim é o grosso das vendas globais da marca!!

porque os BEV também têm a sua quota parte
Óbvio, não aparecem por geração espontânea. No entanto, comparando o impacto de uma e outra tecnologias durante um ciclo normal de utilização, estamos conversados!!
 

Telmo Salgado

Moderator
Colocando mais MCI na estrada?

Onde leste que era opção?

Investindo recursos infindáveis para tornar um motor 1 ou 2% mais eficiente

É uma questão matemática. 2% de melhoria no rendimento (quociente entre energia útil e energia absorvida) significa 5% de diminuição de consumo de forma direta, e a forma como o MCI opera é igualmente mais abrangente. A cada geração do Prius reduziu cerca de 10%.
E que recursos infindáveis são esses? Investigação em MCI fez parte dos últimos 110 anos de engenharia...

A Toyota precisou de duas décadas para que o HSD se tornasse mainstream, e nem assim é o grosso das vendas globais da marca!!

Os resultados estão à vista (15 milhões unidades) e são a favor de um ambiente melhor. Fosse regra e este tópico nem existia.
 

Carlos Costa

Moderator
Onde leste que era opção?
Nas tuas palavras. Defender o investimento em novos MCI é para que fiquem nas prateleiras ou vão parar à estrada?
E que recursos infindáveis são esses? Investigação em MCI fez parte dos últimos 110 anos de engenharia...
Pois eu acho que está na hora de parar, e de direcionar o investimento em tecnologia de FUTURO!! É aqui que as nossas ideias divergem.

Os resultados estão à vista (15 milhões unidades) e são a favor de um ambiente melhor.
Nos últimos 20 anos a Toyota terá vendido qualquer coisa como 150 a 200 milhões de veículos. Infelizmente esses 15 milhões ainda são uma percentagem muito reduzida das vendas da marca, o que diz bem do que ainda é preciso andar para nos livrarmos dos fósseis.
 

Telmo Salgado

Moderator
Nas tuas palavras. Defender o investimento em novos MCI é para que fiquem nas prateleiras ou vão parar à estrada?

Nem por sobras, estás equivocado. É para POLUIREM MENOS. A cada MCI produzido deve ser dada a devida atenção ao seu impacto. (read my lips) .

Já agora, qual é perspetiva de futuro para os MCI, sabes quanto se prevê vender em 2030 e em 2040?

Eu respondo, e sou apenas mensageiro:

word-image-36.png


Há outros estudos além deste, porém, cada analista tem o seu modelo de previsão.

Parece-me óbvio, urgente e até essencial que preparemos o parque automóvel futuro para reduzir emissões.
Enterrar a cabeça na areia, assumindo as declarações bizarras e até de grajeamento de "melhor imagem" de alguns contrutores como sendo a panaceia para o desenvolvimento de BEV e daí um futuro melhor, não faz o meu estilo.

Só uma ação concertada em todos os vetores de poluição/emissões GEE faz sentido.
 

Carlos Costa

Moderator
Parece-me óbvio, urgente e até essencial que preparemos o parque automóvel futuro para reduzir emissões.
Certo. Só não concordo com a tua visão de futuro, de continuar preso ao atual panorama da combustão interna, quando já temos tecnologia para fazer muito melhor. As previsões são o que são, falíveis. Basta um vírus chinês e tudo cai por terra num instante, não sei se me entendes.
 
Top Inferior