A eletrificação - troca do tradicional pelo híbrido - e o seu papel na redução de emissões

Telmo Salgado

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Uma simples notícia como esta não poderia passar mais despercebida, mas um olhar atento não pode deixar de identificar que o mercado brasileiro é um colosso potencial para a incorporação de tecnologias híbridas, com duas particularidades: o etanol e o baixo poder de compra.

Ao contrário de outros construtores, que se apressam a virar a página da combustão com propostas reconhecidamente difíceis de aplicar, e cujos resultados não são por enquanto globais, a Toyota tem teimosamente investido na massificação da tecnologia de combustão com eletrificação auxiliar.

Os resultados, dependendo do amadurecimento de cada um dos mercados, virão ao encontro de um menor consumo de combustíveis fósseis e um contacto com a eletrificação que só ajuda a uma transição.

Julgo que esta aposta faz todo o sentido.
 

João Prates

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CKL
Vai ser a tábua de salvação da Toyota por alguns anos, disseminar os híbridos por mercados onde uma infraestrutura de carregamento EV esteja a anos-luz de distância.

Sem dúvida que em mercados gigantescos como o Brasil ainda há espaço para muitas vendas, muito dinheiro para ganhar, é negócio quase fácil.

O que temos pena é de ver a Toyota, o maior construtor mundial, a sair de fininho do palco principal dos mercados desenvolvidos, por não ter alternativas EV.

E para compensar o aumento brutal diário dos níveis de CO2 (devias retomar esse ícone na tua assinatura) bem acima das 400 p.p.m., fazem falta muitos EVs onde forem possíveis.

No fundo é bastante simples, e não tem nada de rocket science:
  • Vender EVs onde o mercado e a aplicação suportar a tecologia, em detrimento de simples ICE, HVs e PHVs;
  • Vender PHVs onde o mercado e a aplicação suportar a teclonogia, em detrimento dos ICE e HVs;
  • Vender HVs onde o mercado não tiver forma de suportar a tecnologias PHV e EV, em detrimento dos ICE;
  • Banir totalmente os ICE, porque com a tecnologia actual absolutamente nada pode justificar um drivetrain ineficiente;

Todas as marcas em pleno séc. XXI, mais de 20 anos depois do primeiro híbrido ser construído em série, TODAS deviam ter soluções HV, PHV e EV.
 

Luis Neves

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Bom, a triste realidade é que a Toyota não tem EVs, mas a quase totalidade das restantes marcas também não tem HVs.

Se esquecermos alguns ensaios que não ultrapassam os mínimos olímpicos e são rapidamente retirados do mercado, na verdade o único grupo que consegue estar apetechado em todas as frentes é o grupo Hyundai/Kia...e esta, heim?
 

João Prates

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CKL
Muitas outras marcas não têm híbridos decentes, é bem verdade, mas compensam com paletes de PHVs, que estão disponíveis nos stands já hoje.

Na Toyota só temos 1 único PHV, e zero EVs.

É certo que nos híbridos dá cartas, mas já era tempo de fazer "upgrade" para outros voos, na minha opinião.

Não faz sentido nenhum ter a tecnologia, ter o know how, as fábricas com capacidade produtiva, e depois não fazer nada com isso, excepto [bons] híbridos.
 

Telmo Salgado

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Ainda a propósito da disponibilidade dos PHEV e do seu potencial para redução de emissões, gostaria de discutir um pouco a real emissão que o WLTP não mostra.
WLTP só conta com as emissões tail-pipe...fazendo a carga elétrica balancear errrrmmm....ZERO CO2!...
Esta métrica distorce um pouco os resultados finais (pelo menos deveria ter um "tank-to-wheels" elétrico) e que levaram a indústria europeia a seguir a eletrificação direta, por via de PHEV, sem que a emissão final seja efetivamente da mesma medida.
Aparentemente, isso traduz-se num benefício muito superior ao benefício por aumento da eficiência dos MCI, cuja utilização nos PHEV é ainda bastante prevalente.
E explica o porquê dos construtores apostarem mais em meter baterias do que em melhorar os MCI...

Quanto a mim, penso que o sistema americano talvez seja um pouco mais justo porque avalia energia total consumida, apesar de também não ser isento de críticas

 

João Prates

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CKL
Quanto a mim, penso que o sistema americano talvez seja um pouco mais justo porque avalia energia total consumida, apesar de também não ser isento de críticas
Ah sim, sem dúvida alguma, perdeu-se uma belíssima oportunidade ao desenhar o WLTP para corrigir o erro do consumo médio das 2 componentes e separar os consumos!

O que interessa a toda a gente é saber quantos kms faz em EV com quantos kWh, e qual a média de consumo do motor de combustão quando não rola em EV.

Daqui a pouco fazem PHVs com baterias para 90 km EV e dizem que os carros consomem apenas 0,000000001 l/100km... rídicula esta teoria das médias ponderadas.
 
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Pedro Tiago

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Por isso ultimamente vou sempre ao https://fueleconomy.gov/ para tentar a ferir o consumo dos carros, é muito mais claro, faz a distinção entre os métodos de propulsão, e com o MPGe criaram uma unidade que podemos fazer comparações directas.

Infelizmente há muitos modelos que por não serem vendidos nos EUS não aparecem... obviamente!
 

Pedro Tiago

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Num exercício de comparação para as unidades que estamos habituados a usar seria assim tão difícil usarmos algo semelhante?

Considerando as densidades energéticas dos combustíveis que usamos na europa:
-Gasolina: 9,5 kwh por Litro
-Diesel: 10,722 kwh por Litro

Podíamos chegar facilmente a um Lge/100km (litros de gasolina equivalentes por 100km) e Lde/100km (litros de diesel equivalentes por 100km)

Por exemplo o meu Ioniq marca neste momento 12,7kwh/100km na assinatura do Spritmonitor, seria facilmente comparavel com um carro a gasolina ou diesel se dissesse que gastava 1,33 Leg/100km ou 1,18 Lde/100km.

Mas se calhar nos dias que correm fará mais sentido ainda o contrário, ou seja começar a quantificar os carros a combustiveis fosseis pela energia que gastam.

Mais uma vez (acreditando na assinatura) o CHR da minha mulher gasta 4,8 L/100km de gasolina, o que equivale a 45,6kwh/100km!!! uma brutalidade!!!

Estarei a pensar bem?
 
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Telmo Salgado

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A hibridização do tradicional ICE está em curso, felizmente.
De tal modo que a Infiniti substituirá a designação "hybrid"...


“We tested even the name (hybrid) with American customers, and it comes across as very negatively perceived,” said Rigaux. "This is not a hybrid system, which is more about fuel economy—respectable, but this is not what Infiniti is about.”

Ui, então, a designação "hybrid" está com má perceção nos EUA?
Existe alguma razão para isto? :cry:


Infiniti does say that emissions with the new series hybrid will be “significantly reduced compared to existing vehicles for the brand, and other ICE vehicles offering similar power and performance.”

Eu acrescento que até poderia ser melhor ainda, já que o híbrido-série tem algumas desvantagens...:rolleyes: Voilá:

Series hybrid plans have been discarded in the past by a number of automakers because of disappointing highway mileage—especially higher-speed highway cruising like in the U.S. or Europe.



To assure at least that occasional prods of the accelerator might be silent, the battery in the series hybrid is reasonably large compared to other hybrids—3.5 to 5.1 kwh, depending on the model.


Com uma bateria destas, eu ficaria triste não recarregar na ficha... :unsure:



Infiniti also says that the battery pack is “recharged constantly” by the engine—a 1.5-liter turbo-3 engine that uses the company’s VC-Turbo variable-compression-ratio technology.

Agora a cereja no bolo: MCI com compressão variável? :oops:
Não será demasiada complexidade quando comparado com um Atkinson?

Até entendo a vontade de inovar, mas isto parece-me pouco racional.
 
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Telmo Salgado

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Outro artigo interessante, que contém previsões:



cito para facilitar - porque o artigo está minado com publicidade:

“By 2030, we forecast that half of all new auto sales globally will be electrified in some form,” says Goldstein, who also chairs Morningstar’s Electric Vehicle Committee. “We forecast EVs and hybrids – such as the Toyota Prius – will reach 20% and 30% of global penetration rates respectively by 2030.”

(...)

"And leading the charge is China: the country currently leads the world in sales of electric vehicles. Morningstar analysis suggests that by 2030 EVs will account for more than a third of auto sales in the region.

The country’s electric vehicle fleet size is currently 3 million. A decade from now, this figure is forecast to hit 65 million, says Morningstar analyst Seth Goldstein."



Relativamente à Europa:

"The region's EV fleet size will grow from about 1.7 million in 2019 to more than 23 million by 2030. Over the medium term, EV adoption will likely be driven by strong emissions regulations that require an carmakers' average vehicle to be comparable to a Toyota Prius by 2025 and a plug-in hybrid by 2030. An EU directive calls for a maximum of 10 EVs on the road per EV charger. "
 

William Esteves

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A Infiti parece que viu isto:


(É um Leaf com um gerador na mala)

E pensou, já sei!! :D :D :D :D

É tão mau que dói... Pior até que os pseudo Plug-In's com motorizações arcaicas que tornam os carros remotamente viáveis a quem de facto consegue fazer o dia-a-dia com a bateria (Ler-se, Passat PHEV, 530e, 330e, etc.....) ou acabam com custos superiores a um Lexus híbrido....
 

Telmo Salgado

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Ora bem, mais um momento para refletir, e como as futurologias são uma coisa complicada. Na China estão agora os híbridos a revelar um crescimento notável. E ainda bem, porque reduz sobremaneira o consumo de um tradicional.


https://eu.detroitnews.com/story/business/autos/foreign/2019/12/02/japanese-hybrids-beat-slump-china-car-market/40728963/



Iconic car companies like Toyota Motor Corp. and Honda Motor Co. are increasing sales in a market that has fallen almost every month since June 2018. They’re doing it by targeting what’s proven to be a sweet spot in the faltering market — demand for hybrid gasoline-electric cars. Japanese automakers are leaders in the technology, which appeals to Chinese consumers keen to heed the government push toward new-energy vehicles, but aren’t ready to shift to pure-electric autos just yet.

(...)

Sales of Japanese brands’ hybrids have risen about 30% this year in China to more than 220,000, making the vehicles one of the fastest-growing market segment, according to the association. Japanese carmakers control about 99% of the traditional hybrid market in China, according to numbers from consultancy WAYS Information Technology Co. that exclude plug-in vehicles.
 

Telmo Salgado

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Aquilo que parecia ser mais um pequeno apontamento sobre um tema de petróleo, acaba por trazer vários dados para análise e reflexão:

- o consumo de crude mundial (em crescendo imparável) não só atingiu os 100milhões de barris diários, como pode chegar a 125milhões em 2030, pelas expectativas da BP;
- desse consumo, 55% destina-se a transporte (30% transporte individual e 25% público - inc.aéreo e naval);
- a venda mundial de viaturas ICE (puros?) estará perto do seu pico - sim, tem vindo a crescer;

E é sobre isto que me parece que os construtores devem intervir mais nessa massa brutal de ICE. Ao invés de os passar uma nova era de menores consumos de combustível, efetivamente usando uma agenda ambiental que é do seu próprio interesse. E do planeta.
 

Telmo Salgado

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Quando nós verificamos que os híbridos Toyota florescem na Europa como tendência de massificação, no outro lado do Atlântico vão fazendo o funeral ao Toyota Prius.


Contrapoem uma tremenda falta de visão global da evolução da eletrificação com uns gráficos muito interessantes sobre os consumos reais do icónico modelo.
Na realidade, ninguém parece contestar que é o rei, apenas que perdeu o charme de outros tempos.
 
O que era inevitável, creio.
Ok, deram o pontapé de saída, brilharam.
Porventura o brilho alcançado foi excessivo e obliterou a inevitabilidade de outras marcas tentarem o mesmo.
Ora foi isso que aconteceu, e daí a perda do protagonismo.
Mas o protagonismo, é bom não esquecer, dura o momento da criatividade e depois extingue-se, qual fogo fatuo.

Abraço amigo
Crisóstomo
 

Telmo Salgado

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Finalmente a equiparação dos híbridos aos diesel no setor!
O que acho mau é não abranger as plataformas privadas TVDE, que têm sido movidas também muito por gasóleo.
 

Pedro Tiago

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Finalmente!! ...mas mesmo sem este incentivo, em Lisboa tenho visto o aumento considerável de taxis Toyota híbridos. Muitos Auris e Corollas, alguns Prius 4g e tb alguns Prius+

Penso que é reflexo do reconhecimento da fiabilidade, baixa manutenção e bons consumos da tecnologia HSD.

No outro lado do espectro, vejo tb cada vez mais lixo diesel da Dacia e citroen... carros nitidamente para usar 2 ou 3 anos e deitar fora!

EDIT: Não se compreende porque a medida não abrange os TVDE... às vezes acho que somos mesmo governados por mentecaptos! 🤬
 
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Telmo Salgado

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On the product side, up to 50 per cent of traditional drivetrain variants will be eliminated from 2021 onwards in the transition to creating enhanced, intelligent vehicle architectures – in favor of additional electrified drivetrains.

Ora bem, tinha esperança que não se ficassem pelos PHEV, e que melhorassem os "normais" para HV com motores melhorados. A ver vamos.
 

William Esteves

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Apesar de faltaram PHEV's/BEV's à Toyota, é inegável que estão à frente de todos...

Praticamente todos os fabricantes parece aquela história, "eu como 2 frangos, na média eu e tu tivemos cada um o seu"...
 
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